sábado, 26 de novembro de 2011

POST 1076: PARA RICHARD BRANSON, COMPETIR É DIVERTIDO

Richard Branson, dono do grupo Virgin, diz adorar “entrar em mercados com empresas um pouco inchadas, um pouco acomodadas, que costumam cobrar alto do consumidor”. Telefonia móvel e hotelaria são seus alvos no Brasil



Rio de Janeiro - O empresário inglês Richard Branson, de 61 anos, é protagonista de uma trajetória que parece mais ficção do que realidade. Depois de ser reprovado três vezes em matemática, abandonou a escola, aos 16 anos. O ex-aluno “problema” dedicou-se, então, a seu primeiro negócio: uma revista para o público jovem, batizada de Student.

Dali em diante, tornou-se um empreendedor serial, cujas ideias deram forma ao grupo Virgin, que hoje atua em mais de uma dezena de setores — incluindo aviação civil, telefonia celular e turismo — e faturou 3,8 bilhões de libras em 2010.

Dono de uma fortuna de mais de 4 bilhões de dólares, Branson é o quarto homem mais rico do Reino Unido, segundo a revista americana Forbes. Fez da excentricidade uma de suas marcas.

Não gosta de computadores, faz anotações nas mãos e costuma anunciar desafios que nem sempre dão certo. Na primeira vez em que tentou bater o recorde de tempo na travessia do Atlântico, por exemplo, teve de ser resgatado de helicóptero. Insistiu e cumpriu sua meta na segunda tentativa.

Uma de suas próximas extravagâncias será passar o Natal de 2012 no espaço (utilizando os serviços da Virgin Galactic, sua empresa de turismo espacial).

No final de outubro, Branson veio ao Brasil pela primeira vez para participar de um encontro do grupo The Elders, ONG dedicada a discussões sobre direitos humanos que reú­ne líderes globais, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente americano Jimmy Carter e o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela. No final do evento, no Rio de Janeiro, Branson deu a seguinte entrevista exclusiva a EXAME.

EXAME - Embora esteja presente em 30 países, a Virgin ainda não atua no Brasil. O senhor vai começar a acompanhar mais de perto as oportunidades de negócios por aqui?

Richard Branson - Sim. Acho que o Brasil tem um futuro fantástico. Tem potencial para ultrapassar os Estados Unidos como um dos países mais ricos do mundo.
Tem população, uma boa democracia, as pessoas estão tendo acesso à educação de melhor qualidade, mas, obviamente, há um longo caminho a percorrer.

EXAME - Há rumores de que a Virgin começará a atuar na área de telefonia móvel no Brasil no próximo ano. É verdade?

Richard Branson - Acabamos de criar a holding para toda a América Latina. Acertamos o acordo para o primeiro negócio no Chile, com início previsto para o ano que vem. Estamos examinando outros três mercados, e o Brasil é um deles. Mas o martelo ainda não foi batido.

EXAME - O que a Virgin tem para oferecer de diferente para ganhar espaço no mercado brasileiro, já tão disputado?

Richard Branson - Somos experientes em entrar em novos mercados. Fomos para os Estados Unidos, a Austrália, a África do Sul, a França. Temos uma marca divertida. Não nos levamos tão a sério. Adoramos entrar em mercados com empresas um pouco inchadas, um pouco acomodadas, que costumam cobrar alto do consumidor.

EXAME - Que outros negócios a Virgin avalia no Brasil?

Richard Branson - Estamos com os olhos abertos para qualquer área, como a de hotéis. Não temos planos imediatos na área de aviação e David Neeleman (dono da companhia aérea Azul) foi um pouco mais rápido do que nós.

EXAME - O que o senhor sonhava ser ou ter no começo da carreira?

Richard Branson - Comecei quando tinha 16 anos. Não achava que estava fazendo um negócio. Eu só queria criar uma revista. Nunca me imaginei como um homem de negócios. Queria apenas criar algo especial. A primeira fase foi sobreviver. Não ganhei muito dinheiro, só o suficiente para manter a revista funcionando.

Um dia alguém me deu uma fita cassete e eu adorei aquela fita. Eu a levei para um monte de gente e ninguém quis gravá-la. Montei uma gravadora e foi um sucesso. Os outros negócios nasceram sob a mesma lógica.

EXAME - Quanto tempo o senhor gasta com os negócios atualmente?

Richard Branson - Dedico a maior parte do meu tempo a atividades como a Elders. Mas ainda faço questão de cuidar de atividades importantes para a Virgin, como a contratação dos principais executivos. Entrevistei Josh Bayliss, presidente do grupo, no banco de trás do carro, num engarrafamento de quase 2 horas.

Agora, ele ganha dinheiro para que eu possa gastá-lo. Aprender a delegar é crucial nos negócios. É preciso estar disposto a deixar que as pessoas façam coisas boas e que também errem.

EXAME - Como o senhor reage com as pessoas que erram?

Richard Branson - Acho que é contraprodutivo criticar as pessoas. Um bom líder é aquele que elogia o que a pessoa tem de melhor, não critica. As pessoas sabem quando cometem erros. É claro que ocasionalmente não consigo resistir e acabo dizendo algo, mas não digo mais de uma vez. O segredo do sucesso é encontrar boas pessoas.

EXAME - O senhor já demitiu muita gente?

Richard Branson - Não sou bom nisso. Uma empresa é como uma família, e você não manda embora seu irmão ou sua irmã simplesmente porque eles cometeram um erro. É claro que já demitimos pes­soas, mas, no geral, tentamos encontrar lugares em que elas se encaixem melhor.

EXAME - Quem o senhor admira do mundo empresarial?

Richard Branson - Admirava o Steve Jobs, apesar de sermos completamente diferentes. Ele gritava com funcionários que cometiam erros, não delegava muito, quebrava todas as regras nas quais acredito. De alguma forma, deu certo para ele.

A Apple é uma das melhores marcas do mundo. Mas a pessoa que mais respeito no mundo é o bispo Desmond Tutu. Ele e Nelson Mandela chegaram ao poder na África do Sul e perdoaram os brancos pelas atrocidades que eles cometeram durante o regime do apartheid. Deram uma grande lição de como devemos perdoar nossos inimigos e seguir em frente.

EXAME - Como o senhor começou a se envolver com questões ambientais e de direitos humanos?

Richard Branson - Foi bem cedo. Cresci na década de 60, numa época em que as pessoas iam às ruas protestar contra a Guerra do Viet­nã, por exemplo.

Na adolescência, costumava frequentar um centro para jovens com diversos tipos de problema. Isso me ensinou muito. Quando cheguei a determinado ponto de riqueza e me tornei conhecido globalmente, decidi usar minha posição para tentar fazer a diferença.


FONTE: EXAME

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