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domingo, 2 de dezembro de 2012

POST 1888: ENTENDA ESSE PÍFIO CRESCIMENTO DO PIB. Por Stephen Kanitz

Dilma está preocupada e convocando economistas para entender porque o Brasil não cresce além do crescimento populacional. Um fiasco e tanto.

Ela usou todos os conhecimentos da ciência econômica: estímulos fiscais, redução de juros, PAC, bolsa família e bolsa consumo, empréstimos políticos via BNDES a juros de amigo, e nada.

Guido Mantega, outro economista no governo, além de não ter previsto o fracasso, diz que "nós economistas não sabemos ainda o que aconteceu". Assustador.

DIlma anda perguntando como aumentar os "espíritos animais dos empresários" e como "tirá-los do armário", uma falta de tato mercadológico ainda mais assustador.

Eliana Cardoso, economista do MIT, faz uma importante mea culpa no o Estadão de 28/11/2012.

"Nós economistas pulamos da fase teocrática para a caótica, o que explica tantas falhas no entendimento do nosso desenvolvimento". Parabens Eliana.

Finalmente, diz Eliana, poucos economistas ainda acreditam em Caio Prado Jr. em Formação do Brasil Contemporâneo, e Celso Furtado em Formação Econômica do Brasil, adotados por 40 anos nas melhores escolas.

"Também desacreditada fica a hipótese de uma produção para a exportação", grande bandeira dos economistas da Cepal.

E agora vem a nova descoberta de Eliana.

"O desenvolvimento da economia depende dos empresários inovadores".



Não acertam uma. Eliana mostra o seu total desconhecimento do Brasil administrativo, mais "uma falha de entendimento".

Robert Coase, que se intitula "Prêmio Nobel De Economia", escreve um poderoso artigo
Precisamos Salvar a Economia dos Economistas, que todo economista deveria ler.

Tese que este blog vem defendendo há 40 anos e aceito de bom gardo o apoio de um Robert Coase. Obrigado, poderia ter me apoiado antes.

Nunca tivemos no Brasil empresários inovadores, Eliana, e não foram eles que fizeram o país crescer.

Nossos empresários foram copiadores.

Copiavam inovações que deram certo nos Estados Unidos e introduziram estas inovações no Brasil.

Roberto Marinho introduziu "television", Abílio Diniz o "supermarket", Walter Moreira Salles, o "retail banking", Roberto Young "franchising", Bob's introduziu o "fast food", sem falar da "internet", "email", "blog", "leasing", "credit card", etc..

No Brasil, esta teoria de "empresários inovadores" é furada. Basta ver as nossas patentes.

O que é triste, Dilma, Eliana, e jornalistas como Celso Ming, estão na realidade copiando teorias econômicas de Shumpeter e Coase, e não pesquisando a realidade brasileira.

Mais uma categoria de "copiadores", como nossos empresários.

E nem copiar direito souberam.

Muitos dos nossos setores foram copiados muito mais tarde do que deveriam, outros vieram muitos antes.

A Revista Veja amargou prejuízos por 11 anos seguidos, colocando a própria Abril em risco.

Por outro lado, a edição Melhores e Maiores, cujo lucro foi imediato, e que manteve a revista Exame por 11 anos no equilíbrio, mostra que deveria ter sido introduzido muito antes, mas não foi.

Estes senhores supriram é "capital", não inovação, capital muitas vezes de amigos no BNDES ou Banco do Brasil, a juros subsidiados.

Assim até eu.

Portanto estes "empresários" brasileiros não foram assim tão necessários, não inovaram, simplesmente copiaram e supriram capital.

Quem fez estas empresas crescer foram seus administradores que implantaram as suas ideias, copiadas.

Tanto é que nos Estados Unidos, Bill Gates, Steve Jobs, Mark Zukerman não eram "empresários" e sim alunos e sem capital.

As próprias Universidades os estimulavam a criarem empresas, quando aqui estimulam os alunos a nunca trabalhar numa empresa e sim ter um emprego público.

O Brasil não cresce, porque está nas mãos de pessoas que confessadamente não entendem nada deste Brasil.

Não foi a "visão" de Abílio Diniz, Walter Salles, que fez suas empresas crescerem. Foram os executivos destas empresas.

Quer saber como fazer o Brasil crescer ?

Basta seguir o conselho de Eliana Cardoso, Robert Coase, e tantos outros.

Precisamos salvar a economia brasileira dos economistas.

Agora não sou eu somente que digo isto. Até que enfim.
 
 
 
Texto de Stephen Kanitz
Administrador, Conferencista e Escritor.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

POST 1858: ANÁLISE EM TEMPO REAL

Enquanto muitas empresas dedicam esforços para análises em tempo real, a lógica nos diz que nem tudo pode ser monitorado em uma base constante. No entanto, o dilema do Big Data representa grande oportunidade disfarçada, apesar de uma tarefa difícil de enfrentar.
Por Anna Papachristos


Marketing 1to1 Enquanto muitas pessoas afirmam que "vivem o momento" a cada dia, os profissionais de marketing utilizam este lema para sua estratégia de envolvimento do cliente, para maximizar a sua vantagem competitiva. Com análises em tempo real, as empresas ganham a capacidade de coletar, processar, avaliar e reagir a eventos enquanto eles acontecem, permitindo-lhes responder às questões dos clientes preventivamente ou no ponto de necessidade. Mas com tantas informações comportamentais fluindo para dentro da empresa, o fluxo do Big Data muitas vezes pode passar por um obstáculo difícil.

No entanto, esse fluxo de dados de clientes representa uma oportunidade disfarçada. O Big Data cria oportunidades a um novo mundo de sentimento do cliente, que pode abastecer futuras melhorias. Para a maioria das empresas, o desafio nem sempre se encerra da natureza esmagadora em termos de volume do Big Data, mas de saber se as empresas estão coletando os dados corretos, a fim de gerar informações construtivas para impulsionar a ação em todos os pontos de contato. Para que isso funcione, as empresas devem também estar dispostas a adotar as tecnologias disponíveis, a fim de agilizar o processo.

Um foco em pontos de dados-chave para as empresas individuais é o que alguns especialistas recomendam para análise em tempo real, a fim de trabalhar eficazmente. Cary Danner, vice-presidente de serviços ao cliente e análise da C3/CustomerContactChannels, acredita que a análise de dados e análise de tendências devem ter alvo; pois não ter foco reduz o volume de dados e complexidade de análise necessários para transformar dados em conhecimento e decisão de negócios. "A tomada de decisão atual é baseada em ter a informação correta disponível e facilmente acessível", diz Danner. "Devido ao processo problemático de transformar dados em conhecimento, a maioria das organizações hoje se encontram sendo ricas em dados, mas pobres em informação."

Para tornar-se rico em informações, é preciso de profissionais de marketing que quebrem as informações armazenadas, para que as empresas possam integrar os dados e desenvolver a inteligência acionável. Isso vai ajudá-los a determinar quais pontos necessitam de resposta imediata e que os pontos podem ser abordados mais tarde.

Wilson Raj, diretor global de inteligência de cliente no SAS, explica que nem todos os "momentos da verdade" precisam de interação em tempo real. "Identificar os momentos da verdade na jornada de clientes que se beneficiariam de uma intervenção em tempo real, em primeiro lugar," diz ele. "Procure os dados que podem dar-lhe os conhecimentos necessários, adquirir as tecnologias para construir essas capacidades analíticas, e adquirir as habilidades e processos relevantes para apoiar [a sua estratégia de análise]".

Susan Ganeshan, CMO da newBrandAnalytics, concorda. Para ela, a informação é poder: "Quando você se aproxima das quantidades maciças de dados encontrados na internet com isso em mente, a difícil tarefa de focar no cliente parece mais acessível. Não deixe a velocidade ou volumes de dados intimidá-lo. Basta encontrar o parceiro certo, alguém que receba o seu negócio e tenha as ferramentas certas para ajudá-lo a gerenciar [os dados]".

Tornar os dados acionáveis

Quando aplicado no contexto, análises em tempo real podem permitir que as empresas façam ofertas pertinentes em momentos críticos do ciclo de vida do cliente. Normalmente, os profissionais de marketing usam análises em tempo real para monitorar o comportamento on-line, as respostas ao conteúdo, ofertas, e as operações; desenvolvendo assim uma compreensão de como os clientes e prospects interagiram com a marca no passado e suas atividades atuais, a fim de avaliar como eles podem se comportar no futuro.

Com base em dados históricos, a análise de dados pode ajudar em interações presentes - tanto on-line como off-line -, sugerindo outros itens ou serviços adquiridos pelos clientes anteriores que exibiram os mesmos interesses. Observar os comportamentos on-line permite que as marcas personalizem ofertas especiais e recomendações de produtos de acordo com itens o que os clientes tem visto atualmente. Em outros casos, os funcionários são capazes de acessar as informações dos clientes para que eles possam oferecer promoções relevantes para evitar atrito.

"Olhe para os dados como um ativo valioso: óleo cru que pode refinar em alta potência a gasolina para alimentar o negócio", diz David Smith, vice-presidente da Revolução Analytics. "Em particular, reconheça que seus dados são exclusivos para o seu negócio, e aproveite a oportunidade que é a chave para o sucesso competitivo." Smith também sugere evitar soluções fora da prateleira para analisar os dados. "Por definição, a massificação não fornece nenhuma vantagem competitiva. Ao invés disso, cria uma cultura de extração de valor a partir de seus dados com uma eficiente, poderosa prática de análise de dados", diz ele.

A chave para o desenvolvimento de uma estratégia em tempo real, moderna e de sucesso, de acordo com Michael Svilar, diretor global de análise de marketing da Accenture Interactive, é adotar uma plataforma de tecnologia integrada que elimina o feed de dados manual, assim, centralizando os dados importantes e tornando-os prontamente disponíveis em toda a organização. No entanto, ele também sugere que as empresas se afastem de sua dependência de métricas, porque enquanto os dados e análises informam a estratégia e investimento, as decisões devem ser uma combinação saudável de compreensão do mundo real, do contexto de mercado, e a dinâmica de negócios, a fim de gerar insights.

Por outro lado, Svilar, enfatiza a necessidade das empresas em compreender quais métricas são mais importantes para o seu negócio, para que eles não se saturem ao olharem para cada ponto de dados, permitindo que eles se concentrem apenas no real negócio de condução de métricas.

Conclusão:

Enquanto análises em tempo real podem ser uma tendência global que acaba por conduzir a vantagem competitiva, cada vez mais profissionais de marketing estão chegando à conclusão de que nem tudo pode (ou deve) ser executado imediatamente. Instâncias que podem proporcionar a experiência pessoal mais relevante para seus clientes em tempo real merecem atenção imediata, mas decisões estratégicas mais importantes requerem esforço e cuidadosa reflexão sobre o tempo.
 
 
 
FONTE: 1TO1

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

POST 1809: UMA ABORDAGEM PROATIVA EM RELAÇÃO AO ABANDONO DO CARINHO DE COMPRAS PODE INCENTIVAR AS VENDAS

Hábitos dos consumidores online indicam que o abandono do carrinho de compras representa apenas mais um passo no processo de decisão de compra.
 
É bem comum dentre os consumidores de lojas virtuais encherem seus carrinhos e então sair do site sem realizar nenhuma compra. Mas isso não significa, necessariamente, uma venda perdida. Esses consumidores online começaram a revelar uma tendência que incialmente era percebida como negativa para as vendas, mas que na verdade representa uma etapa natural no processo de compra.
 
De acordo com um estudo conduzido por Charles Nicholls, denominado “A Ciência do Abandono do Carrinho de Compras”, muitos consumidores tratam o carrinho de compras como uma lista de desejos para visitas futuras. Apesar de 25% dos consumidores que abandonam o carrinho de compras não retornarem, 75% retornam e destes, quase 12% realiza a compra.
O estudo observou uma amostra aleatória de 264.631 transações de uma variedade de sites de e-commerce dos EUA, e 617.247 visitantes de site individuais e identificados, revelando que, do total, apenas 2% a 3% dos visitantes efetuam uma compra em uma única sessão do site e 29% dos que adicionam itens ao carrinho efetuam a compra na primeira visita. Além disso, um fácil acesso ao preço dos concorrentes pode contribuir para o abandono.
 
O estudo também revelou que:
- Consumidores familiarizados com uma marca específica são responsáveis por 90% da vendas da empresa;
- Para cada compra, os consumidores abandonam o carrinho em média 1,3 vezes;
- Dentro do período de 28 dias em que o estudo foi conduzido, 25% dos novos visitantes (aqueles que não apresentavam intenção de compra anterior) não retornaram ao carrinho de compras abandonado no período;
- Quase 12% dos visitantes que estavam retornando (aqueles que abandonaram anteriormente ou efetuaram uma compra), efetuaram uma compra;
- Quase 20% dos que abandonaram seu carrinho uma vez, retornaram após algum incentivo de e-mail marketing;
- 42% dos que já abandonaram o carrinho mais de uma vez finalmente o realizam de vez, mas 48% retornaram após receber algum tipo de incentivo de e-mail marketing;
- E-mail marketing exerce o maior impacto nas primeiras 12 horas de abandono de uma cesta de compras online. Apenas 8% dos compradores retornam ao site sem algum tipo de incentivo dentro das primeiras 12 horas, enquanto 26% retornam se recebem um e-mail.
- Aqueles que abandonaram a cesta de compras estão mais propensos a gastar mais após receber alguma ação de incentivo via e-mail. Dentro do grupo que abandonou o carrinho de compras, foi realizado um teste: metade deles recebeu um e-mail em até 24 horas convidando-os a retornar ao site, e a outra metade recebeu o e-mail assim que abandonaram o carrinho de compras. A campanha para os que receberam e-mail logo em seguida gerou 105% a mais de lucro do que para a outra metade.
- Frete grátis pode diminuir o abandono de carrinho e aumentar as vendas. Alguns dos entrevistados afirmaram aumentar os gastos num site em até 30% se esse valor significar frete grátis.
 
Chave do negócio: alguns fatores que levam ao abandono do carrinho podem estar presentes no ciclo de compras até dos clientes mais fiéis. As empresas devem entender que isso é uma etapa natural no processo de decisão de compra, aproximando-se desse comportamento através de uma perspectiva não apenas de observador, mas que toma uma atitude a respeito. Por exemplo, as empresas podem olhar para o e-mail marketing como um incentivador no processo de decisão de compra. Ou então realizar algum programa de boas vindas para os consumidores de primeira viagem, que geralmente não retornam após a primeira compra, aumentando as chances de uma recompra em 30%.
 

domingo, 29 de julho de 2012

POST 1751: APROVEITE OS DADOS DOS CLIENTES PARA O TIME DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO

Os dados dos consumidores não deveriam ser usados apenas para aprimorar serviços, mas também para ajudar o time de pesquisa e desenvolvimento das empresas. Aqui apresentamos dicas de como os líderes podem usar insights provenientes do consumidor para auxiliar os esforços desta equipe.

Um bom time de pesquisa e desenvolvimento é necessário para qualquer empresa melhorar seu negócio e assegurar que seus produtos e serviços estão em sua melhor forma. Para muitas, os dados dos clientes estão se tornando um importante elo na cadeia de pesquisa e desenvolvimento, permitindo aos tomadores de decisão a identificar tendências em padrões de compra, prevenir atritos e desenhar os produtos e comunicações de acordo com os consumidores. Entretanto, uma enorme quantidade de dados está apresentando um desafio para alguns negócios, que acham eles difíceis de filtrar, entender e tornar acionáveis, nota Craig Davis, fundador e CEO da Relevant que diz: "É preciso trazer os dados de diferentes fontes para um sistema único e construir uma imagem completa dos consumidores".

Práticas de Voz Do Cliente, por exemplo, podem revelar insights sobre o que os consumidores estão esperando e, ao combinar essa informação com pesquisas tradicionais, as empresas podem desenvolver um mapa para seus futuros investimentos. Essa estratégia entrega para a organização uma visão holística que a ajuda não somente a entender os desejos do consumidor, mas também a determinar o que seus prospects realmente querem, algumas vezes antes mesmo deles saberem. Um hospital com visão de futuro adiantada, por exemplo, descobriu que somente por pintar os tetos dos quartos ele poderia melhorar a experiência dos pacientes, que passavam grande parte do tempo deitados na cama, olhando para cima.

Quando usado com eficiência, os dados dos clientes dão as empresas uma maior competitividade. Aqui estão listadas algumas maneiras de como as empresas podem usar os insights para ir além de prever problemas e identificar oportunidades, mas também para melhorar suas iniciativas de pesquisa e desenvolvimento:

- Analise a voz de alguns: nem todos os consumidores se expressam verbalmente, mas há aqueles que tem a tendência de representar a opinião de muitos outros que escolhem não dividir seus pensamentos. Olga Spaic, gerente de análise da Metia, afirma que as empresas que realmente vão a fundo aos dados podem entender melhor problemas que foram levantados apenas por alguns, mas que representam um grupo maior que não está expressando sua opinião e preocupações. Escutar esses consumidores e fazer uma mudança com base nesses insights pode diminuir as chances de perda ao ser gerado algum atrito.

- Desconstrua os comentários dos clientes e encontre tendências: um comentário pode esconder diversos insights. Procure por sugestões escondidas, como consumidores que desejam que a empresa forneça um serviço particular. Esses insights podem ajudar a determinar onde que as empresas podem fazer mudanças, e quais novos produtos e serviços ela pode lançar.

- Use os dados para determinar, em tempo real, pontos de problemas: empresas estão usando dados transacionais e comportamentais agregados em tempo real para aprender como maximizar a satisfação do consumidor e fazer mudanças imediatas. Essa prática é comum no mundo dos jogos, em que as empresas olham para o comportamento do consumidor para determinar, por exemplo, se alguma fase é muito difícil e poderia levar aos jogadores a se frustrarem e pararem de jogar. Ao identificar esses pontos de problema em tempo real, ao invés de esperar os resultados de pesquisas, empresas podem fazer rápidas mudanças de acordo com a preferência do consumidor.

- Analise o histórico de compras para enviar mensagens mais personalizadas: empresas querem manter seus atuais consumidores felizes, e os executivos entendem que boa parte desse trabalho é proveniente do envio de mensagens relevantes. Com base no histórico de comportamento anterior, pode-se determinar quando contatar o consumidor e o tipo de informação a ser enviada. Adicionar esse tipo de insight para o time de pesquisa da empresa pode levar a interações mais direcionadas e bem sucedidas.

- Use dados geográficos e sociais: o uso das redes sociais por clientes e prospects está contribuindo para uma enxurrada de dados que as empresas estão coletando. Dharamsi, da eClerx, aponta que as redes sociais não somente dão insights sobre informações que clientes e prospects não estão compartilhando, por exemplo seus desejos que não estão sendo atendidos sobre produtos e serviços, mas também sobre como eles estão interagindo com seus concorrentes. Acrescentado ao uso das redes sociais, as empresas conseguem manter guias sobre os sucessos e fracassos de seus concorrentes, ajudando a definir o que eles podem tentar e o que devem passar longe.

Ultimamente, as empresas estão gastando uma quantidade significativa de dinheiro e pessoas para colher e analisar os dados dos consumidores. Faz sentido elas usarem esse tipo de informação para fortificar seus esforços de pesquisa e desenvolvimento Isso aumentará tanto a satisfação quanto a lealdade do cliente.

FONTE: 1to1. Peppers & Rogers Group.

sábado, 10 de março de 2012

POST 1379: PREPARANDO-SE PARA UM ANO DE INCERTEZAS – PARTE 2 Por André Massaro


Dando continuidade às considerações sobre um possível “ano difícil” pela frente, vamos ver algumas estratégias financeiras defensivas que merecem ser analisadas e, quem sabe, adotadas. Uma coisa interessante sobre estratégias financeiras defensivas é que, com raras exceções, “mal não vão fazer”. Se as previsões mais pessimistas sobre o ano que vem estiverem completamente furadas e tivermos mais um ano de crescimento e euforia econômica, o pior que pode acontecer (ressaltando novamente “com raras exceções”) é ter vivido o ano de forma menos intensa, mas com uma situação mais equilibrada no final.

1 – “Quem não deve não teme”
Existem poucos exercícios de futilidade e perda de tempo maiores do que pensar em investimentos e retornos quando se está endividado. Empresas se endividam e pensam em retorno, mas usam o dinheiro emprestado (ou pelo menos deveriam usar) para “alavancar” seus resultados – ou seja, elas tomam dinheiro emprestado a um custo “X” para investir em seu negócio que traz um retorno maior que “X”.

Estão, literalmente, “ganhando com o dinheiro dos outros”. Mas raramente uma pessoa física consegue tomar dinheiro emprestado e, de alguma forma, se beneficiar da alavancagem. Pessoas físicas usualmente usam crédito para o consumo, e não para gerar algum retorno que seja superior ao custo desse crédito.
O primeiro passo de uma postura financeiramente defensiva é parar, imediatamente, de fazer dívidas e adotar uma postura de viver conforme os meios permitem. É importante notar que não estamos falando de um problema financeiro, mas sim comportamental e disciplinar, que afeta diretamente a vida financeira.

2 – “Espere o melhor, mas prepare-se para o pior”
Quem consegue passar pela primeira (e mais difícil) etapa, que é parar de se endividar, deve começar a se preocupar em ter uma reserva financeira liquida e de fácil acesso para situações emergenciais, como a perda repentina do emprego.
Hoje, muitos brasileiros têm patrimônio zero ou negativo, por conta do endividamento. Eliminar o endividamento é fundamental para que se possa pensar em começar a constituir uma reserva. É importante aqui criar uma regra e ser rígido com ela. Normalmente recomenda-se às pessoas que procurem guardar algo entre 10% a 15% de suas rendas mensais, mas, na iminência de cenários ruins, quanto maior o percentual, melhor.

3 – Investindo defensivamente
Quem tem dinheiro sobrando (e investido) deve, mais do que nunca, ficar atento a algumas regras básicas do gerenciamento de riscos. Nosso povo tem algumas coisas engraçadas… Se eu sair por aí dizendo que vou pegar todo o meu dinheiro e investir tudo em uma única empresa, comprando ações dela na bolsa de valores, é capaz de mandarem me internar num hospício. Mas se eu disser que vou comprar um único imóvel para alugar e receber essa renda de aluguel, muita gente vai achar a decisão mais sábia e sensata do mundo…
Bem, novamente não estamos falando de problemas financeiros, e sim de valores pessoais, visões, percepções e crenças. Investir defensivamente exige que adotemos uma “política de risco” para nossas decisões, e um grande desafio é estabelecer essa política de riscos de uma forma coerente e objetiva, sem deixar que nossas emoções e nossas percepções nos traiam.
O procedimento mais básico (e mais eficaz) de uma política de gestão de riscos é a diversificação. Diversificar os investimentos entre categorias (renda fixa e renda variável) e entre emissores (títulos públicos e privados, no caso de renda fixa, e diferentes empresas e segmentos, no caso de renda variável). Em situações de incerteza, é comum as pessoas darem maior “peso” em suas carteiras de investimento a títulos de renda fixa emitidos por governos e comprarem ações de empresas de setores mais “tradicionais” e com reputação de serem boas pagadoras de dividendos. É uma boa prática para o investidor não profissional cuja maior preocupação é a defesa do patrimônio.

4 – Tristeza de uns, alegria de outros…
Reduzir o consumo, poupar dinheiro e se preocupar em investir de forma conservadora não é a coisa mais agradável de se fazer. Aliás, é algo bastante chato… por isso vamos tentar “fechar” nosso pacote de estratégias defensivas com algo mais divertido e animado, onde exercitaremos nossa imaginação e nossa criatividade.
Vamos começar a traçar cenários e imaginar que, no ano que vem, tudo dê errado e a economia vá para o buraco de vez. Como poderíamos ganhar com isso? Reclamar e se lamuriar nunca foi uma estratégia muito interessante para tentar gerar riqueza,por isso minha proposta é fazer um exercício mental para tentar enxergar onde estariam as oportunidades caso o cenário ruim vire realidade. Quais seriam os negócios “contra cíclicos” que poderiam gerar riqueza quando a economia vai mal? Ponha seu cérebro para funcionar e descubra!
Afinal, não devemos esquecer que grandes fortunas e grandes oportunidades surgem nas épocas de crises. E também não devemos esquecer que, para explorar adequadamente as grandes oportunidades, é bom estar com a vida financeira bem resolvida e equilibrada, por isso não se esqueça das estratégias anteriores!

Texto originalmente publicado em EXAME

André Massaro
Administrador de empresas pós-graduado em economia.
Já foi executivo financeiro, consultor e investidor profissional.
Mais de André Massaro AQUI 

quinta-feira, 1 de março de 2012

POST 1350: PREPARANDO-SE PARA UM ANO DE INCERTEZAS – PARTE 1. Por André Massaro

Realmente estamos vivendo uma época paradoxal. Ainda me lembro (e olha que não faz tanto tempo assim) quando diziam que “quando os EUA dão um espirro, o Brasil pega uma pneumonia”. O pessoal do mercado financeiro (em especial a turma da bolsa) costumava se referir aos EUA como “a matriz”. Horas antes da abertura dos mercados no Brasil todo mundo se perguntava como estavam os mercados futuros na “matriz”, se referindo à bolsa de Chicago. Era um claro indicador de como ia ser a abertura dos mercados por aqui. Nosso mercado parecia simplesmente se limitar a repetir passivamente o que acontecia lá fora.
O termo “matriz” ainda é usado como apelido carinhoso para os EUA, mas vem perdendo um pouco o sentido. O mundo está tão mudado que já não se sabe mais quem é a matriz de quem. Um extraterrestre que chegasse agora ao planeta Terra poderia achar que a matriz do mundo é o Brasil, afinal, aqui o clima é de absoluta pujança e euforia, enquanto economias tradicionais como EUA, Europa e Japão caminham celeremente rumo ao abismo. Os EUA estão morrendo de pneumonia e nós ainda sequer espirramos…
Mas esse extraterrestre certamente ficaria intrigado se analisasse o Brasil mais a fundo. Afinal de contas, o Brasil é o 126º colocado no ranking de facilidade de negócios do Banco Mundial (que tem 183 países). Onde está a base de toda essa euforia? Nosso visitante do espaço ficaria ainda mais intrigado se conversasse com algumas pessoas da classe média brasileira. Ele perceberia que existem dois tipos de classe média: de um lado uma classe média “nova”, cria dessa euforia econômica recente, extremamente animada e otimista, gastando adoidado e se sentindo milionária, pois agora pode “viajar de avião pagando em dez vezes no cartão”… e de outro lado uma classe média “tradicional” que tem uma sensação oposta, de que seu padrão de vida está caindo e que seu poder de compra está derretendo.
O Brasil não é e nunca foi um país “fácil” para se fazer negócios, e nossa posição no ranking deixa isso muito claro. Circunstâncias econômicas absolutamente especiais e incomuns estão fazendo com que o Brasil (assim como alguns outros países emergentes) esteja imune à maré de negatividade que vem de fora, mas nada garante que a situação não possa mudar (para pior) em 2012. Pode ser também que mude para melhor, mas… nas atuais circunstâncias, uma deterioração da situação parece ser o caminho de menor resistência.
Uma coisa que chama muito a atenção hoje em dia é a situação do emprego. Estamos numa situação de praticamente “pleno emprego”, o que também é algo historicamente incomum para nós. O desemprego sempre foi uma fonte de angústia e um fantasma que rondava os brasileiros, mas agora não mais. Aliás, a facilidade com que um profissional consegue arrumar um emprego hoje em dia (já virou clichê entre os empresários falar em “apagão da mão de obra”) certamente é algo que está contribuindo para o excessivo endividamento do brasileiro, que se sente seguro com a facilidade de conseguir um novo emprego caso perca o atual e por isso “manda bala” no consumo e nas dívidas.
Sei que muitos virão com aquela conversa de “ah, mas o endividamento do brasileiro ainda é baixo em relação à média dos povos das economias desenvolvidas” (argumento tecnicamente correto, mas que convenientemente “esquece” o altíssimo custo das nossas dívidas), mas o fato é que o brasileiro médio está excessivamente alavancado e, se houver alguma coisa (ainda que remota) que faça a situação do emprego piorar, pode ser o início de uma reação em cadeia. Afinal de contas, se as pessoas começarem a perder seus empregos (estando cheias de dívidas) e não conseguirem rapidamente outra fonte de renda para dar conta de seus compromissos financeiros, o que vocês acham que vai acontecer?
Algumas luzes amarelas andaram acendendo nos últimos dias, como divulgações recentes de dados econômicos do Brasil que indicam uma desaceleração econômica. Pode ser um indício de que nossa situação vai começar a se deteriorar? Não sei responder (prever o futuro não é uma das minhas especialidades…), mas sinto que o cenário pede que passemos a adotar uma postura mais defensiva com relação ao nosso dinheiro e à nossa situação financeira.
No próximo artigo, veremos algumas estratégias que podem ser adotadas para que não sejamos pegos “de calças arriadas” caso algo ruim aconteça no ano que vem. Até lá!

Postado originalmente na EXAME


André Massaro
Administrador de empresas pós-graduado em economia.
Já foi executivo financeiro, consultor e investidor profissional.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

POST 1262: OS 10 EMPREGOS MAIS ESTRESSANTES

Muitas pessoas devem pensam que o seu próprio emprego é o mais estressante que existe. Mas uma nova pesquisa mostra quais realmente são os 10 empregos que geram mais estresse, indo de serviços militares até bombeiros.

A lista foi feita este ano pelo site CareerCast.com. Não é nenhuma surpresa que os cinco postos de trabalho mais estressantes são os que envolvem grandes perigos.

Confira a lista abaixo com as 10 profissões mais estressantes:

  1. Soldados;
  2.  
  3. Bombeiros;
  4.  
  5. Pilotos de avião;
  6.  
  7. Generais militares;
  8.  
  9. Policiais
  10.  
  11. Coordenadores de eventos;
  12.  
  13. Relações públicas executivas;
  14.  
  15. Executivos em empresas;
  16.  
  17. Fotojornalistas;
  18.  
  19. Motoristas de táxi.

No extremo oposto, os trabalhos que são muito pouco estressantes incluem joalheiros, cabeleireiros, costureiros, alfaiates e técnicos em laboratórios médicos.

Se você está buscando evitar o estresse no local de trabalho, Tony Lee, do CareerCast.com, lembra que há uma abundância de opções atraentes.

“O trabalho mais estressante de 2012 paga quase o mesmo que o trabalho menos estressante, e os empregos de baixa tensão são os que acontecem em ambientes confortáveis”, Lee disse. “Os empregos de alta tensão não compartilham desse benefício.”

A pesquisa anual com 200 profissões diferentes leva em consideração o ambiente de trabalho, emprego, competitividade e risco. [LiveScience]


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domingo, 15 de janeiro de 2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

POST 1203: OPORTUNIDADES NO BRASIL. Por Ricardo Amorim

Chegou a hora do Brasil aproveitar as oportunidades.
Em entrevista exclusiva, o economista Ricardo Amorim explica por que o país não deixará de crescer com a crise financeira mundial e afirma que os próximos anos serão os melhores da nossa história.

Nos últimos meses de 2011, as notícias que chegaram da Europa não foram nada animadoras. Não podemos nos iludir. É fato que, em 2012, a economia mundial sentirá os efeitos da crise. Mas não é menos verdade que, no Brasil, estamos vivendo um outro momento, de intenso e vigoroso crescimento. Nossas finanças estão equilibradas, nosso mercado interno é cada vez mais forte, e novas oportunidades surgem com velocidade inédita, nos quatro cantos do nosso imenso território.

Foi justamente para falar sobre crise mundial e oportunidades no Brasil que entrevistamos o economista Ricardo Amorim. Consultor financeiro e de investimentos, desde 2003 ele é um dos debatedores do programa Manhattan Connection, da Globo News. Bem informado e com ampla capacidade analítica, Ricardo antecipou a atual crise europeia e suas consequências. Após viver muitos anos no exterior como executivo do mercado financeiro, o economista voltou ao Brasil no fim de 2008, prevendo que a recessão nos países ricos seria longa e as oportunidades de negócios no Brasil nesta década seriam as melhores da nossa história. É sobre tudo isso e muito mais que ele fala na entrevista a seguir.



Em que medida a crise mundial afetará a economia brasileira em 2012?
Infelizmente, o mais provável é que, assim como a maior parte da economia mundial, o Brasil cresça muito pouco nos próximos trimestres em função dos problemas na Europa e da fragilidade da economia americana. Quando o crescimento perde força, empresas param de contratar e investir, e bancos param de emprestar, aprofundando o próprio desaquecimento.

É um panorama parecido com o que seguiu à crise imobiliária americana de 2008?
O cenário econômico mundial será bastante adverso no início de 2012, com crescimento baixíssimo, como em 2009. Por outro lado, a economia brasileira se recuperou no segundo semestre de 2009. E, em 2010, o Brasil teve seu maior crescimento em mais de 25 anos. É provável que a história se repita e nosso crescimento bata recorde em 2013 e mantenha-se elevado em 2014, ano de Copa do Mundo e eleições.

E para a Europa, há alguma esperança?
Lamento dizer que não. Devido à letargia dos líderes europeus, recessão por lá, este ano, é praticamente uma certeza.
Uma recessão branda é o cenário mais otimista. A situação é tão séria que talvez a Europa tenha uma década perdida, do ponto de vista econômico, como a América Latina nos anos 1980.

A crise deve chegar forte também aos Estados Unidos, mesmo em ano de eleição presidencial?
Ainda que a Europa tenha apenas uma recessão branda, é bem provável que a crise se estenda aos EUA. Paralisia política, cortes de gastos públicos e aumentos de impostos elevam ainda mais a probabilidade de recessão naquele país em 2012.

E a poderosa China, está imune à crise?
A economia chinesa também está mais frágil do que em 2008, quando o PIB crescia 14% ao ano; agora são “apenas” 9%. Além disso, a redução na oferta de crédito global causada por preocupações com a Europa expôs problemas nas construtoras chinesas. Um eventual estouro de bolha imobiliária na China aumentará as dificuldades da economia global.

Voltando ao Brasil, o que o governo pode fazer para atenuar os efeitos da crise?
Deve cortar impostos e reduzir os juros, como, aliás, já começou a fazer. Ao contrário do que ocorre na Europa, nos EUA e no Japão, em que as taxas de juros estão próximas a 0% ao ano, aqui temos bastante espaço para combater os impactos da crise com estímulos fiscais e monetários.

Alguma recomendação para empresas e empreendedores no novo ano?
O mais importante é evitar endividamentos. Caso precise mesmo recorrer a empréstimos, o empresário deve tentar obter prazos de pagamento superiores a um ano, pois, se tiver que refinanciar esses empréstimos no curto prazo, corre o risco de enfrentar falta de crédito no início de 2012.

Em agosto de 2011, o Brasil ocupava a 53ª posição do ranking de competitividade global divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF). Como essa ineficiência afeta a capacidade do país de gerar riqueza?
Essa posição média do ranking de competitividade é, ao mesmo tempo, causa e consequência de o Brasil ser um país de renda média. Exatamente por sermos pouco competitivos, não nos tornamos um país rico. E, por não sermos um país rico, não conseguimos eliminar vários gargalos de crescimento que afetam nossa eficiência.

Você identifica alguma tendência de reversão desse quadro no futuro próximo?
A novidade é que, impulsionada por externos, a economia brasileira cresceu nos últimos oito anos a um ritmo médio duas vezes superior à média dos 25 anos anteriores, apesar da baixa competitividade.
Se isso continuar, o que deve ocorrer, é provável que muito gradualmente nossa competitividade melhore. Mas teremos que ter bastante paciência.
Até que ponto a recente entrada de milhões de brasileiros na chamada “nova classe média” muda a economia e o ambiente de negócios do país?
Completamente. De 2005 a 2010, em meros cinco anos, 45 milhões de brasileiros deixaram as classes D e E. Isso equivale a toda a população da Espanha. No mesmo período, 55 milhões de brasileiros ingressaram nas classe A, B e C. Ou seja, o Brasil ganhou toda uma Itália de novos consumidores efetivos. Além disso, a própria distribuição geográfica da renda vem melhorando.
Nas regiões Norte e Nordeste, o poder aquisitivo tem crescido mais que no resto do país. A renda de toda a população brasileira cresceu, e não foi pouco, à medida que o país se beneficiou da fome chinesa pelas nossas matérias-primas e de baixas taxas de juros globais.

O que explica essa verdadeira revolução?
Ela começou com a vitória contra a inflação na segunda metade dos anos 1990.Como mais da metade da população não tinha conta bancária, não podia se proteger da inflação que corroía ferozmente seus já baixos salários. Com a queda da inflação, isso deixou de acontecer e a renda dos mais pobres começou a crescer. Fora isso, todo santo ano, há 14 anos, o salário-mínimo passa por reajustes superiores à inflação, o que também favorece os mais pobres. E também há os programas de redistribuição direta de renda, como Bolsa-Escola e Bolsa-Família, além de programas de governo focados nos mais pobres, como o Minha Casa, Minha Vida.

E o que devemos esperar para os próximos anos?
A inflação deve continuar sob controle, o salário-mínimo continuará crescendo acima dela, e os programas sociais provavelmente serão expandidos, independentemente de quem ganhar as próximas eleições presidenciais. Afinal, todo político gosta de ser popular. Então, é bastante provável que a melhora de distribuição de renda continue ao longo desta década, favorecendo em particular os setores de saúde e educação, focos das principais ambições da nova classe média. Pelas minhas projeções, teremos cerca de 30 milhões de brasileiros ingressando nas classes A, B e C até 2015.
São muitos novos consumidores.

Como seguradoras e corretores podem se diferenciar da concorrência para aproveitar essas oportunidades de negócio?
Oferecendo produtos e serviços melhores do que a concorrência e/ou preços mais baixos. Não há nenhuma outra estratégia de diferenciação que eu conheça que seja eficiente no longo prazo. Apenas um terço da frota de automóveis brasileira é segurada, o que mostra o imenso potencial de crescimento do seguro no país – mas também uma baixa disseminação da cultura do seguro entre nós.

Como você vê o futuro do setor nos próximos anos?
Paradoxalmente, faz muito sentido que, no Brasil em que tudo dava errado – o país não crescia e a instabilidade era enorme –, os brasileiros não se preocupassem com seguros. Duas décadas de instabilidade econômica e crescimento pífio roubaram a crença de que o país adormecido tivesse qualquer futuro e também a nossa capacidade de pensar além do hoje e planejar para construir o amanhã. Sem prever, como planejar? Já que não conseguíamos vislumbrar o que viria, acostumamos a viver como se não houvesse amanhã. A preocupação era com a sobrevivência, não com crescimento ou sustentabilidade.

domingo, 8 de janeiro de 2012

POST 1188: VOCÊ PRECISA DE UM PERSONAL TRAINER FINANCEIRO? Por André Massaro


Como eu gostaria de ter sido um atleta… Nunca levei muito jeito para a coisa, mas admirava as pessoas que conseguiam fazer proezas físicas e para quem a boa forma era um estado absolutamente natural. Minha inabilidade para esportes e atividades físicas em geral ainda é algo um pouco misterioso para mim. Talvez eu não tenha sido adequadamente motivado, mas o fato é que só comecei a dar uma maior importância para a boa forma física quando virei adulto. Mais especificamente após os trinta anos (não tenho dado tanta importância quanto deveria mas, acreditem, já estive pior no passado…).

Eu comecei a dar um pouco mais de atenção ao meu próprio corpo e à minha saúde depois de ter me tornado um profissional de finanças com alguma experiência; então foi inevitável, para mim, traçar um paralelo entre as duas coisas.

Uma coisa que eu já havia aprendido sobre dinheiro (uma das coisas mais irônicas e contraditórias do mundo das finanças) é que quanto mais você se “preocupa” com o dinheiro, menos precisa se preocupar com ele. Isso significa que, quanto mais atenção você der à sua situação financeira agora, menor será o risco de que você se veja em uma grande enrascada financeira do futuro (aí, sim, você vai descobrir o que é se preocupar…).

Descobri que meu corpo funciona mais ou menos do mesmo jeito: quanto mais eu cuido dele “direitinho”, é menor a possibilidade de que eu me veja na frente do médico ouvindo uma bronca e, talvez, alguma má notícia.

Só que, apesar desse paralelo, existe uma grande diferença entre as duas coisas. É possível você “terceirizar” completamente sua vida financeira, colocando suas decisões de consumo e investimentos nas mãos de amigos, cônjuges, gerentes de banco, consultores, contadores ou o que preferir. Existem pessoas que passam por toda a vida sem nunca terem visto um extrato da própria conta bancária. Seguem placidamente sem ter a menor ideia do que acontece em suas vidas financeiras.

Já nosso corpo não aceita muito bem essa terceirização. Eu posso contratar um personal trainer para me preparar fisicamente mas, não importa o quão caro eu pague, não consigo fazer com que ele entre em forma em meu lugar. Adoraria contratar alguém para ficar fazendo dieta e exercícios em meu lugar enquanto eu colho os benefícios disso mas, ao menos por enquanto, a biologia e a tecnologia médica não permitem algo assim…

Voltando um pouco à questão da terceirização das finanças, minha prática profissional mostra que, apesar de parecer um ótimo negócio deixar tudo nas mãos de alguém, que vai cuidar para nós daquelas “coisas chatas”, isso nem sempre é algo muito positivo.

Com frequência assustadora, sou procurado por pessoas passando por alguma situação financeira complicada (e põe complicada nisso…) que foi originada por um acompanhamento deficiente da própria situação financeira ao longo do tempo. Isso pode acontecer por culpa da própria pessoa (muita gente gosta de acreditar que está “tudo bem” até dar de cara com a dura realidade) ou de terceiros, que não estavam tecnicamente preparados para a função ou agiram de má-fé mesmo.

É preciso deixar uma coisa muito clara neste momento: nossa vida financeira não é “terceirizável”. Temos que ter algum grau de controle sobre nossas próprias finanças. Podemos até delegar algumas funções mais operacionais e maçantes, mas não podemos abrir mão, jamais, das decisões importantes e de saber, a qualquer momento, o que está acontecendo com nosso dinheiro.

Algumas pessoas acabam recorrendo a profissionais financeiros como consultores pessoais ou mesmo os próprios gerentes bancários para organizar e planejar suas finanças, mas o que essas pessoas precisam mesmo é de um “personal trainer financeiro”, alguém que não fará organização ou planejamento algum, mas a preparará e educará para que se fortaleça financeiramente e se torne uma pessoa autônoma, independente e bem informada para tomar suas decisões por si mesmas (e aí sim fazer seu próprio planejamento). Se precisarem consultar alguém elas o farão, mas farão em busca de informações e análises que ajudarão a refinar suas decisões, e não simplesmente para perguntarem, com voz chorosa, “e agora, o que eu faço?”.

Faça um grande favor a si mesmo: não entregue sua vida financeira “de bandeja” nas mãos de quem quer que seja. Se for recorrer a alguém, recorra a um profissional que esteja empenhado em prepará-lo e educá-lo para ter uma vida financeira saudável, e não uma eterna relação de dependência. Invista em sua evolução pessoal e em sua educação financeira.



André Massaro
Administrador de empresas pós-graduado em economia.
Já foi executivo financeiro, consultor e investidor profissional.

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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

POST 1151: REVISTA RI: ENTREVISTA DO ECONOMISTA RICARDO AMORIM SOBRE TENDÊNCIAS EM 2012

RI: Em entrevista a Revista RI em março de 2009, você previu que a crise deflagrada pelo estouro da bolha do subprime no mercado americano, ia demorar anos e não meses ou trimestres e que os países desenvolvidos não estavam se dando conta disso. De lá para cá a crise, que no início quebrava bancos, passou a derrubar países. Devemos acrescentar 2012 nesses anos?
Ricardo Amorim: Sem dúvida nenhuma. Chegou a hora da verdade na Europa. Como venho alertando nos dois últimos anos, o projeto da Zona do Euro, como inicialmente concebido, é insustentável. A União Europeia nasceu com o objetivo de integrar diversos países, tornando-os mutuamente dependentes, reduzindo assim riscos de conflitos entre eles, inclusive bélicos. Infelizmente, em seu formato atual, a coesão não é suficiente para atingir esta meta. Pelo contrário. Hoje, um mix de interdependência monetária e cambial e uma completa independência fiscal está exacerbando as tensões políticas entre os países da zona do euro.

Muito em breve, a Europa terá de decidir entre mais coesão, perda de autonomia nacional ou, o caminho oposto, revertendo seu projeto mais ambicioso e seu mais importante instrumento de integração: a moeda comum, com a saída de um ou vários países da Zona do Euro. Mais integração exige a adoção de medidas politicamente impopulares tanto pelos países em situação financeira frágil, quanto pelos que atuariam como âncora da Europa unida. Por um lado, Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália teriam que abrir mão de boa parte de sua soberania fiscal para a União Europeia.

Quer um paralelo? Imagine que, em meio a uma crise no Brasil, fossem anunciados a criação de novos impostos, o aumento de idade de aposentadoria e o fechamento de hospitais por decisão do governo do Mercosul.

Por outro lado, a Alemanha teria que financiar uma enorme expansão dos recursos do fundo de resgate europeu e a criação de “bônus europeus” que transferem à todos os membros da Zona do Euro a responsabilidade pela dívida de cada um deles e aceitar a emissão de euros pelo Banco Central Europeu para compra de títulos de países em dificuldades – o que causará desvalorização da moeda e aceleração da inflação. Consegue imaginar o Brasil aceitando a volta da inflação para ajudar a Argentina ou se responsabilizando pela dívida do Paraguai? A Europa terá de decidir se quer e se consegue avançar na integração.

Sem isso, calotes soberanos e uma nova crise econômica global são inevitáveis. Ambas alternativas são difíceis e dolorosas. Não existe a opção do status quo. Além de seus impactos sobre as perspectivas de crescimento global no próximo ano, a decisão europeia será fundamental para definir todo arcabouço da economia mundial na próxima década. Se optar pela integração, para ter sucesso, a Europa terá que ser apoiada por organismos internacionais – cuja própria sobrevivência dependerá de sua capacidade de apoio e de cobrança de medidas duras – e, principalmente, pelos novos donos do dinheiro no mundo, os países emergentes, capitaneados pela China.

Para isso, europeus, americanos e japoneses terão de reconhecer, formalmente, sua atual dependência financeira de países historicamente periféricos e realizar uma enorme transferência de poder para eles nos organismos multilaterais.

Se todos não formos capazes de darmos passos tão grandes, o processo de desintegração econômica e recessão na Europa pode virar a semente de movimentos protecionistas que revertam a globalização das últimas décadas, podendo, no limite, colocar em risco o próprio sistema capitalista. Mesmo assumindo que a crise europeia será resolvida, o processo de desalavancagem nos países desenvolvidos terá de continuar ao longo da década.

Entre 1980 e 2007, houve um enorme aumento de endividamento de famílias, empresas, setor financeiro e governos dos países desenvolvidos. A crise de 2007 marcou o início do processo de desalavancagem, que durará, no mínimo uma década, com crescimento baixo e muito volátil nos países desenvolvidos, que, ao longo desta década ainda terão de lidar com outras crises importantes – incluindo estados e municípios e cartões de crédito nos EUA e dívida do governo japonês.

RI: Neste sentido, você acredita que desta vez a crise chegará mais forte aos emergentes como Brasil e China?
Ricardo Amorim: Isto vai depender de como a crise avançará na Europa. Se os países europeus forem capazes de se integrarem, apesar dos desafios políticos, teremos uma recessão global em 2012 mais branda do que a de 2009. Se não forem, a crise nos países desenvolvidos e seus reflexos nos países emergentes serão maiores do que em 2009, porque desta vez a crise financeira pode ser maior – estamos falando de vários países em crise e não apenas de um grande setor de um grande país, o imobiliário americano. Para piorar, os países desenvolvidos gastaram os principais instrumentos de resposta à crise na crise passada. Atualmente, não podem mais estimular suas economias com política fiscal expansionista porque a crise é fiscal.

Também não podem mais reduzir juros, que, na maioria dos casos, já estão muito próximos a 0% a.a. O único instrumento de resposta que sobrou, imprimir quantidades colossais de moeda, é o mais ineficiente e com os maiores efeitos colaterais, como nós brasileiros sabemos bem.

RI: Em 2008, o ex-presidente Lula dizia que a crise, um tsunami no mercado internacional, chegaria ao Brasil como uma marolinha. Agora, em 2011, a presidente Dilma mudou o discurso. A mudança foi acertada? Em que medida?
Ricardo Amorim: Lula acertou em cheio no tsunami. A marolinha foi discutível. No varejo brasileiro, efetivamente, tivemos apenas uma marolinha em 2009, quando as vendas cresceram mais de 6% em termos reais. Já na indústria, que sofre com a perda de exportações para mercados em crise, houve queda de produção industrial de 7%. Em 2012, é provável que a história se repita, com forte crescimento de varejo e serviços e contração da produção industrial.

RI: Como a mudança afeta os cenários econômicos desenhados para 2012 e qual seu impacto no mercado de capitais brasileiro? É melhor desde já, alertar que “apertem os cintos” e desejar um Feliz 2013?
Ricardo Amorim: Uma recessão mundial é muito provável em 2012. Seus primeiros sintomas já se sentem no Brasil, com a indústria e o comércio se retraindo, a inflação começando a cair e o Banco Central cortando os juros. O cenário econômico será bastante adverso no início de 2012 e o crescimento será baixíssimo, como em 2009. Por outro lado, a economia brasileira se recuperou no segundo semestre de 2009 e é provável que se recupere também no segundo semestre do ano que vem, inclusive com reabertura dos mercados de capitais. Em 2010, o país teve seu maior crescimento em mais de 25 anos. É provável que a história se repita e o nosso crescimento bata recordes em 2013 e mantenha-se elevado em 2014, ano de Copa do Mundo e eleições.

RI: Na sua visão, ações de empresas de quais setores da economia serão mais afetados?
Ricardo Amorim: Se a crise europeia se intensificar, provocando uma nova crise financeira, a Bolsa brasileira ainda pode passar por baixas significativas afetando todos os setores antes de atingir um novo movimento sustentado de alta.

Independentemente disso, quando acontecer, o novo ciclo de alta provavelmente será liderado pelos mesmos setores do último ciclo de alta: construção civil, bancos médios, empresas exportadoras de commodities e varejo. A alta só acontecerá quando houver perspectiva de recuperação global e, por consequência uma retomada da alta dos preços das commodities. Além disso, como o único instrumento de estímulo que restou aos países ricos é emissão monetária, uma grande parte desta emissão monetária acabará estimulando o crédito e o consumo em países emergentes – e, como no último ciclo, os setores mais dependentes de crédito nestes países terão melhor desempenho.

RI: A BM&F Bovespa tem trabalhado com afinco para trazer mais investidores internacionais, mais recentemente asiáticos, para o mercado local. Já bolsas asiáticas vêem prospectando empresas brasileiras para levar para seus pregões. Que fatores fazem com que um ou outro tenha mais chance de vencer essa disputa?
Ricardo Amorim: Não acho que são movimentos excludentes, mas sim complementares. Ambos são reflexos do crescente interesse de investidores globais por oportunidades no Brasil e ambos vão continuar.

RI: Como você avalia o papel da China para o desempenho da nossa economia e do mercado de capitais brasileiro em 2012?
Ricardo Amorim: Absolutamente fundamental. Se o crescimento chinês se enfraquecer, o que deve acontecer devido a recessões na Europa e nos EUA, uma queda do preço das commodities e fortes impactos negativos no Brasil serão inevitáveis. Por isso, acredito que o crescimento brasileiro em 2012 será muito menor do que os 5% previstos pelo governo e mesmo os 3,5% previstos pela maioria dos analistas e economistas.

RI: A China já é o maior parceiro comercial do Brasil. O comércio com a China pode evitar perda para a balança comercial brasileira decorrente da redução das transações com a Europa e EUA?
Ricardo Amorim: No início da década passada, 27% das exportações brasileiras chegaram a ir para os EUA, enquanto 15 vezes menos, menos de 2% do total de nossas exportações iam para a China. Atualmente, já exportamos quase o dobro para a China comparado com os EUA. Esta tendência vai continuar, até porque o preço das commodities que exportamos para a China continuará em elevação ao longo da década, apesar das enormes flutuações de curto prazo devido a crises esporádicas nos países desenvolvidos.

RI: Até agora a China tem apresentado altas taxas de crescimento econômico, apesar da crise. Até que ponto ela pode atenuar a recessão prevista para economia internacional, diga-se Europa e EUA?
Ricardo Amorim: A China atenuará os impactos negativos causados pela recessão da Europa e EUA, mas não impedirá que impactos significativos sejam sentidos em todo o mundo, da mesma forma que atenuou, mas não impediu em 2008 e 2009. Na realidade, a situação chinesa é pior do que em 2008 porque sua economia já estava em desaceleração quando a situação piorou na Europa e nos EUA. Por isso, sua capacidade de impedir uma recessão global também é mais limitada.

RI: Já existe alguma previsão de se, e quando, Europa e EUA poderão ver um happy ending para suas economias?
Ricardo Amorim: Temo que isto ainda esteja muito distante.
Os desequilíbrios que estão sendo revertidos foram gerados ao longo de quase 3 décadas. A única forma de revertê-los rapidamente seria com uma crise de proporções semelhantes a da Grande Depressão. Caso contrário, teremos, no mínimo uma década de crescimento letárgico, pontuada por crises esporádicas.

RI: A moratória foi uma boa saída para a Grécia?
Ricardo Amorim: A Grécia não tinha outra opção. Sua dívida era insustentável. Mega-transformações da economia mundial “condenaram” vários países emergentes, incluindo o Brasil, a crescer e, ao mesmo tempo, criaram obstáculos significativos às economias dos países ricos.

A isso, somam-se os defeitos congênitos da Eurolândia a requerer ajustes profundos e dolorosos. Ao contrário do que muitos dizem, não há nada de surpreendente nas sérias dificuldades econômicas vividas por EUA e Europa.

Também não surpreende que os líderes políticos destes países sejam culpados pelo mau desempenho econômico, com derrotas recentes das coalizões de governo nas eleições em oito países europeus. Surpreendente são os suicídios políticos que antecipam e potencializam dificuldades que já seriam graves.

Os melhores exemplos vêm da Itália e dos EUA. Inevitavelmente, a crise europeia contaminaria a Itália no futuro. População envelhecida e em queda, uma das dez menores taxas de crescimento econômico e um dos maiores níveis de dívida pública do mundo – que tornam a solvência italiana muito vulnerável a elevações das taxas de juros – fazem da Itália um alvo óbvio. Apesar disso, sem a arrogância de Berlusconi, que fragilizou seu ministro de Economia e a própria confiança no país, é provável que a Itália passasse ilesa por muitos meses ainda.

Nos EUA, a antecipação das preocupações foi ainda mais brutal. Por ter a moeda “mais aceita” no planeta, os EUA eram considerados porto seguro, apesar de terem níveis de déficit público e de expansão da base monetária que se igualam aos do Brasil no período hiper-inflacionário. Eis que um impasse no Congresso para a elevação do limite de endividamento público chama a atenção geral de que “o rei está nu”. Não fosse a inexequível exigência dos republicanos de que todo ajuste fiscal aconteça através de corte de gastos públicos, sem nenhuma reversão dos cortes de impostos realizados pelo governo Bush, em vez das seguidas reduções de classificação de risco por parte das agências de rating, poucos haveriam notado os pés de barro do gigante.

A exposição desnecessária das fragilidades americanas em escala global demonstra a total falta de compreensão pelas lideranças americanas da seriedade da situação em que o país se encontra. Ignorar a realidade desafiadora – como se os problemas sumissem se fizéssemos de conta que eles não existem – caracterizou também a crise italiana. Imaginava-se que os países mais ricos do planeta haviam criado sistemas e instituições aptas a lidar com crises. A verdade é que, períodos prolongados de sucesso econômico levaram esses países à incapacidade de ver a magnitude dos seus desafios.

No Brasil, décadas de desempenho econômico pífio alimentaram a ideia de que o País não podia dar certo. No mundo desenvolvido, o sucesso gerou a crença de que seus países não podem ser atingidos por grandes crises – coisa de repúblicas de bananas – incapacitando-os a impedi-las ou limitá-las, tornando-as inevitáveis.
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