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segunda-feira, 1 de abril de 2013

POST 1922: CAPITALISMO TUPINIQUIM. Por Ricardo Amorim


Segundo estimativas da empresa de pesquisa de mercado IHS iSuppli, os componentes de cada iPhone 5 de 16GB custam R$388,00 e sua montagem R$15,00, totalizando R$403,00. Ao conhecer esta informação, a maioria dos brasileiros tem dois tipos de reação. Uns ficam indignados com os lucros abusivos da empresa. Outros a defendem, apontando custos não computados, como distribuição e impostos, por exemplo. Portanto, os lucros seriam “normais”.

Efetivamente, no Brasil os impostos respondem por uma parcela significativa da diferença. O mesmo aparelho que é vendido por R$1.265,00 nos EUA, custa R$2.600,00 aqui. A maior diferença vem de impostos. No Brasil, ao comprarmos um iPhone, pagamos dois, um à Apple, outro ao governo.
Além disso, em nossa sociedade que demarca diferenças socioeconômicas pelos padrões de consumo, os consumidores dispõem-se a pagar preços que, em outros países, fariam o produto encalhar. Isto permite que as empresas tenham margens de lucro mais elevadas aqui.
Estas distorções não afetam apenas o preço do iPhone, mas de tudo que compramos aqui. Pelo preço de uma Ferrari 458 Spider no Brasil, compra-se o mesmo carro, um apartamento e um helicóptero em Nova York.
Devido ao péssimo uso dos recursos arrecadados, nossos impostos elevados causam-me particular indignação, mas outra distorção brasileira preocupa-me ainda mais. Associamos lucros a bandalheira e, portanto, margens de lucro altas precisam ser limitadas ou, no mínimo, justificadas.
Nos EUA, o iPhone  que custa R$403,00 para ser produzido é vendido por R$1.265,00. Mesmo descontando impostos – ainda que menores do que os nossos – e outros custos, sobra à Apple uma margem de lucro gorda, explicando porque ela se tornou a mais valiosa companhia do planeta. Lá, lucratividade elevada é considerada mérito pelo trabalho bem feito, neste caso particularmente em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e marketing. Por aqui, o lucro é o capeta, razão de desconfiança e vergonha.
Se não mudarmos nossa mentalidade, o Brasil nunca será um país rico. Ou acabamos com as distorções de nosso modelo econômico ou seremos o país do futuro do pretérito. Ao contrário do que pensam muitos, a valorização do lucro não precisa ser antagônica à melhora do padrão de vida da população como um todo. Aliás, pode e deve ser exatamente o contrário, como provam os países nórdicos.
No Brasil, isto teria de começar por uma intromissão muito menor do Estado na economia. É na promiscuidade do público com o privado que surge a maioria das distorções que mancham a percepção da opinião pública brasileira quanto ao lucro. Em uma economia onde o Estado é onipresente, com frequência é mais lucrativo ser amigo do rei do que acertar as decisões empresariais ou inovar. A partir daí, lucro vira pecado.
Infelizmente, o contrário tem acontecido. Nos últimos anos, o montante de recursos que o Estado desvia da iniciativa privada através de impostos tem aumentado, assim como as intervenções na gestão de empresas públicas e privadas. Salta aos olhos o papel crescente do BNDES. Capitalizações com recursos públicos superiores a R$300 bilhões desde 2008 permitiram que ele se tornasse um acionista importante em várias grandes empresas brasileiras. Além do risco aos cofres públicos, este processo reforçou a percepção de que temos um capitalismo de compadres. Muda Brasil, enquanto é tempo.

Ricardo Amorim
Formado pela Universidade de São Paulo, com pós graduação pela ESSEC de Paris, o economista Ricardo Amorim foi um dos poucos que anteciparam a crise elétrica brasileira de 2001, a crise imobiliária americana de 2008, a crise européia de 2010 e suas consequências.
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sábado, 8 de dezembro de 2012

POST 1908: SOCORRO! ESTAMOS EXPORTANDO CONSUMIDORES. Por Ricardo Amorim

 
Na semana passada fui a Nova York a trabalho. Como bom brasileiro, aproveitei para fazer umas comprinhas. Fiquei chocado. Em todas as lojas em que entrei, sem exceções, muitos brasileiros também compravam. Políticas econômicas equivocadas estão exportando nossos consumidores. Fico imaginando o que estará acontecendo em Miami…


Há tempos se afirma que as dificuldades da nossa indústria são causadas por um real excessivamente forte. Com esse diagnóstico, o governo taxou investimentos estrangeiros e gastos em viagens, dificultou a entrada de produtos importados por meio de mais impostos e medidas regulatórias, e acumulou muitos bilhões de dólares em reservas internacionais. Sozinha, a última medida custará mais de R$ 50 bilhões só neste ano. Somadas a uma conjuntura internacional, que reduziu nossas exportações e levou multinacionais europeias e americanas a repatriarem capitais, tais ações impulsionaram a cotação do dólar de R$ 1,50 a pouco mais de R$ 2 nos últimos meses.


Problema resolvido, certo? Não, muito pelo contrário. Este ano, a produção da nossa indústria até agora foi 3,5% menor do que no mesmo período do ano passado. Os desafios para a indústria são muitos, começando pela concorrência com produtos chineses e passando pela contração dos mercados de consumo nos EUA e na Europa e, consequentemente, excesso de capacidade industrial instalada no mundo após a crise de 2008. Some-se a isso uma enorme mudança socioeconômica no País desde 1994 que se acelerou nos últimos anos.


Só entre 2005 e 2011, 47 milhões de brasileiros emergiram das classes D e E, passando a gastar uma parcela maior de sua renda com serviços – telefonia, educação, turismo, saúde – e menor com produtos industrializados.


Não deveria surpreender a ninguém que a indústria foi, sistematicamente, o setor com o pior desempenho da economia brasileira nos últimos anos. Desde 2004, o varejo e o atacado, impulsionados por uma forte expansão de renda e crédito, cresceram mais do que a indústria em todos os anos. Não apenas as vendas, mas também os preços do setor de serviços vêm crescendo mais do que na indústria. O agronegócio e toda a cadeia de matérias primas metálicas, minerais e de energia cresceram e tiveram ganhos de preços ainda maiores, alimentados pela fome chinesa. Por fim, impostos elevados e baixos investimentos em infraestrutura, devidos a altos gastos públicos e desvios de verbas, prejudicam particularmente a indústria.


A novidade que percebi nas lojas de Nova York é que os efeitos maléficos da carga tributária sobre a competitividade e o crescimento brasileiro atingem, cada vez mais, setores tradicionalmente protegidos, onde não havia competição internacional. Maior facilidade de transporte e avanços do comércio eletrônico permitem que produtos antes adquiridos na lojinha local sejam agora comprados em qualquer lugar do planeta.


Por que tudo aqui é tão caro? Impostos. No mundo emergente, apenas três países têm carga tributária mais alta do que o Brasil. Ao tornar produtos feitos ou vendidos no Brasil mais caros do que no resto do mundo, nossos impostos estimulam os consumidores brasileiros a comprar em outros países, debilitando não apenas a indústria, mas também os setores de comércio e serviços. Até quando?

 
Postado originalmente em Revista IstoÉ 07/2012.
Ricardo Amorim
Formado pela Universidade de São Paulo, com pós graduação pela ESSEC de Paris, o economista Ricardo Amorim foi um dos poucos que anteciparam a crise elétrica brasileira de 2001, a crise imobiliária americana de 2008, a crise européia de 2010 e suas consequências.
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domingo, 25 de novembro de 2012

POST 1869: MANTENHA A SANIDADE MENTAL (E FINANCEIRA) NESTE FINAL DE ANO. Por André Massaro

Os finais de ano costumam ser épocas extremamente estressantes do ponto de vista financeiro (às vezes de outros pontos de vista também). Especialistas em finanças pessoais costumam ser bastante requisitados nessa época, especialmente pela mídia, que busca dicas de como utilizar melhor o 13º salário, como otimizar os gastos com presentes e festas e como planejar as férias que já deviam estar planejadas meses atrás…
Vamos, então, ver um apanhado dos assuntos financeiros que tipicamente tiram o sono das pessoas nessa época do ano e o que se pode fazer para sobreviver e manter um mínimo de sanidade para começar o novo ano da melhor forma possível.
13º salário
Aqui não há muito o que discutir. Quem tem dívidas, deve utilizá-lo para pagar essas dívidas. Num país onde alguns instrumentos de crédito têm taxas de juros superiores a 200% ao ano, não se deve “marcar bobeira” de jeito nenhum.
Quem não tem dívidas pode se dar ao luxo de direcionar essa verba para o consumo, mas ainda assim é interessante pensar em investir.
Presentes
O ideal é sempre comprar os presentes de final de ano ANTES do final do ano. Naturalmente, pouquíssimas pessoas fazem isso; afinal, somos o povo que sempre deixa tudo para a última hora…
Aqui vale a velha e boa lei da oferta e da demanda. Com a demanda alta, não espere dos comerciantes boa vontade para facilitar a vida dos compradores. As margens de negociação ficam bem reduzidas em situações assim. Por isso, deve-se pensar em outras formas de economizar aqui, como fazer uso intensivo da internet para comparar preços ou apelar para o tradicional “amigo secreto”, para evitar comprar presentes para cada parente individualmente.
Se a situação estiver meio apertada, não tenha o menor pudor em não dar presentes, especialmente para aquelas pessoas que, de alguma forma, não estão merecendo desfrutar do seu “espírito natalino”. Isso vai doer na hora mas, acredite, você se sentirá muito mais leve depois…
Férias
Mais uma vez, a lei da oferta e da demanda é implacável aqui. É o pior momento possível para fazer planos de férias. Se você não planejou suas férias ainda, o ideal é que você simplesmente não faça nada.
Se for absolutamente necessário viajar, defina bem o objetivo da viagem (não gaste uma fortuna no hotel mais caro se tudo o que você precisa é apenas um lugar para dormir e tomar banho), faça um orçamento e evite ao máximo financiar a viagem, pois no futuro você estará pagando por algo que será apenas um conjunto de lembranças em sua memória.
Impostos
“Nada é certeza, exceto a morte e os impostos”, já dizia Benjamin Franklin. Não se esqueça de colocar essa “inevitabilidade” em seu planejamento financeiro. O Big Brother está de olho em você (e NÃO estou falando de um programa de televisão)…
Feliz ano novo?
Um final de ano que se preze precisa ter planos e promessas (que provavelmente não serão cumpridos). Uma das promessas mais populares (talvez só perca para a dieta) é “este ano colocarei minhas contas em ordem”.
As pessoas sempre perguntam “como começar o ano com as contas em ordem?” Essa é fácil de responder: “basta terminar o ano com as contas em ordem” (eu sei, não era a resposta que você esperava…).
Se suas contas estão bagunçadas agora, provavelmente não há muito o que fazer para começar o ano com as contas em ordem (vamos ser realistas), mas pense agora em como será o final de 2012 (lamento informar, mas acho que não é desta vez que o mundo vai acabar!). Como você gostaria de começar o ano de 2013?
Esqueça os planos mirabolantes e concentre-se em viver o ano de 2012 seguindo o ensinamento máximo da boa gestão de finanças pessoais: “viva de acordo com seus meios”. Os começos de ano são épocas em que renovamos nossas esperanças e nos sentimos mais motivados para irmos atrás de nossos sonhos. Não é bom, nem financeiramente nem psicologicamente, começar o ano cheio de encrencas para resolver. Coloque suas contas em ordem e se dê de presente de Natal, no ano que vem, um final de ano sem pressões financeiras. Começar o ano endividado não é apenas ruim para o nosso bolso, é ruim para a nossa sanidade.
 
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Originalmente postado no Blog do André Massaro na EXAME
 
André Massaro
Administrador de empresas pós-graduado em economia.
Já foi executivo financeiro, consultor e investidor profissional.
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quinta-feira, 26 de julho de 2012

POST 1744: 7 CONSELHOS DE GUSTAVO CERBASI PARA O CASAL REALIZAR SEUS SONHOS

São Paulo – Em seu novo livro “Os segredos dos casais inteligentes”, o consultor financeiro Gustavo Cerbasi aconselha os casais a unirem sua renda, seu patrimônio e - por que não - suas contas bancárias, para, juntos, alcançarem os sonhos do casal. Sonhos estimulantes para ambos, e que não passem por cima, necessariamente, dos sonhos individuais de cada um.

O autor do best-seller “Casais inteligentes enriquecem juntos” diz ter decidido escrever esse novo livro para responder às dúvidas dos leitores do livro anterior que ainda não tinham sido bem atendidas. “O ‘Casais inteligentes’ é bem resolvido, mas não foram bem atendidas as situações dos casais que têm situações financeiras mais complexas. Casais empresários – ou em que um dos dois é empresário –, casais que passam por uma transformação significativa na carreira de um dos dois, ou em que um dos cônjuges já tem filhos do primeiro casamento”, explica Cerbasi, em entrevista a EXAME.com.

Conheça a seguir algumas das dicas de Gustavo Cerbasi presentes no novo livro e os principais trechos da entrevista:

É preciso unir as contas bancárias?
Em seu livro, Cerbasi destaca que os casais que têm sucesso financeiro normalmente unem seus patrimônios em um mesmo bolo – quando não as próprias contas bancárias. Sua sugestão é unir as rendas para arcar com todas as despesas da família e com a poupança para os diferentes objetivos, separando uma espécie de mesada individual, igual para os dois, para que cada cônjuge gaste como bem entender ao longo do mês.

Se os cônjuges já tiverem filhos de casamentos anteriores, as despesas com eles devem ser consideradas despesas pessoais e sair dessa “mesada”. Se apenas um já tiver filhos, o outro cônjuge deve receber uma parcela correspondente às despesas com os enteados como forma de “mesada” individual. Mas no caso de esta pessoa reconhecer que sua parcela de uso próprio está muito elevada, essa quantia pode ser usada para uma finalidade como o lazer o casal.

A ideia aqui é tentar manter a individualidade de cada membro do casal, ao mesmo tempo em que é mantida a igualdade. Mesmo quando um ganha mais do que o outro. Para Cerbasi, não é imperativo que se unam as contas bancárias, até porque, por questões de trabalho, nem sempre isso é possível. Mas ele lembra que uma conta por onde passe uma renda maior possibilita aos titulares pagar menos tarifas e obter crédito mais barato, além de outros serviços diferenciados no banco.

“A concentração de recursos possibilita ao casal conseguir melhores investimentos, crédito, flexibilidade para pagar impostos. Mas mesmo que as contas fiquem separadas, o que deve ser unido é o planejamento financeiro”, explica Cerbasi. Ou seja, mesmo que cada um ainda mantenha suas próprias contas e aplicações financeiras, o planejamento familiar deve ser único, e os recursos devem ser unidos para honrá-lo, diz o autor.

E se a diferença de renda entre os cônjuges for grande?
Gustavo Cerbasi não ignora que a diferença de renda entre os membros do casal possa ser grande ou que os casamentos possam dar errado. Unir as rendas e o planejamento, porém, nada tem a ver com casar em comunhão total ou parcial de bens. Para ele, o regime de bens deve ser cuidadosamente escolhido pelo casal, e pode ser o de separação total, se assim lhes aprouver.

“Se o casamento não vai adiante, que prevaleça a amizade. Não devem ser criados mecanismos que dificultem o divórcio se este for o melhor caminho. Se a diferença de renda entre os cônjuges é grande, é razoável casar em separação total de bens. Agora, quando as pessoas se propõem a construir uma relação em comunhão parcial de bens, é justo que, em caso de separação, quem tem menos renda seja mais indenizado, pois esta é a pessoa que tem mais a perder no divórcio”, diz.

De qualquer maneira, Cerbasi defende que, independentemente de quem ganha mais, ambos devem contribuir para o orçamento da família, em vez de deixar por conta daquele que tem a maior renda a responsabilidade de arcar com os gastos fixos e essenciais. A orientação, aliás, é que os gastos fixos caibam no menor salário, deixando para o maior salário as porções dedicadas à poupança familiar e ao lazer.

Como a ideia é tratar toda a renda como uma coisa só – mesmo que as contas sejam separadas – do que sobrar vai sair a “mesada” de cada um, em valor igual. Esse tipo de planejamento, diz o autor, evita um grande baque no padrão de vida caso aquele que tem o maior salário perca o emprego. E também evita a desigualdade dentro da mesma família, com um rico e um pobre vivendo sob o mesmo teto.

Juntar as contas significa socializar as dívidas?
Mas e quando um dos cônjuges gasta descontroladamente e até se endivida, enquanto o outro é contido e poupa? O justo pode acabar pagando pelo pecador e ficar com dívidas em seu nome em caso de contas conjuntas. Nessas situações, antes de procurar uma solução para o cônjuge indisciplinado, Cerbasi aconselha a separar as contas: “Quando percebe a ameaça, o casal deve separar as contas. Mas é preciso ser capaz de antever o problema”, diz. Mais uma vez, mais importante que a união física da renda, é a união do orçamento e do planejamento.

E se um dos dois for dependente ou “encostado”?
Nem todo mundo gosta de planejar as finanças. Embora seja aconselhável se esforçar para aprender a lidar com planejamento financeiro e investir, fato é que nem todos vão se dispor a isso, pelos mais variados motivos. Se um dos cônjuges é desse tipo e delega ao outro toda a responsabilidade do planejamento financeiro da família, é preciso tomar um cuidado especial. Aquele que não gosta muito de números pode acabar se tornando dependente, e no dia em que precisar tomar as rédeas de sua vida financeira – na falta do outro, por qualquer motivo que seja – se verá perdido, sem saber por onde começar.

Para evitar isso, Cerbasi aconselha o casal a manter um canal de comunicação eficiente, com relatórios regulares do que está sendo feito no planejamento financeiro. “Se o departamento financeiro de uma empresa tiver que se comunicar com a área de marketing, fará isso por meio de um relatório. Se um dos cônjuges é responsável por tocar as finanças do casal, tem que haver uma conversa mensal para tratar, de maneira objetiva, os pontos principais do planejamento”, exemplifica.

Ele diz que não é preciso que um imponha ao outro a obrigação de se envolver. Mas sim que é fundamental uma rotina formal de comunicação. “Até porque esse casal vai ter que, depois, educar financeiramente os filhos”, conclui. Na opinião dele, a falta de comunicação é um dos maiores erros dos casais na hora de planejar as finanças, e pode levar ao que ele chama de “infidelidade financeira”: omissão de gastos para evitar brigas, não saber quanto o outro ganha ou para onde o dinheiro está indo.

Se um dos dois for assumir para si a tarefa de tocar as finanças da família, Cerbasi aconselha que seja a pessoa que mais frequentemente toma as decisões financeiras. Deixar o planejamento das despesas na mão de quem decide menos no dia a dia é, segundo Cerbasi, o segundo maior erro dos casais. “Não adianta o homem planejar os gastos se é a mulher, por exemplo, quem decide a maior parte das compras da casa”, exemplifica. Quem executa o orçamento terá mais condições de deixar as contas equilibradas se for também o responsável pelo planejamento.

Calma para comprar a casa própria
Embora não seja contrário à ideia de ter casa própria, Cerbasi é contra apressar essa decisão e comprar um imóvel no momento errado. Para ele, os casais tentam realizar essa compra o mais rápido possível, o que pode ser desastroso para quem é jovem e está em início de carreira. “Ao estabelecer uma moradia fixa pelos próximos 20 ou 25 anos, você limita as suas possibilidades de trabalho”, diz Cerbasi.

O casal tem menos flexibilidade para aceitar um emprego em outra cidade ou tentar uma oportunidade de trabalho mais arrojada, que pode dar errado, simplesmente porque já comprometeu seu ainda magro orçamento com a dívida pesada e longa de um financiamento habitacional. “Você precisa optar por empregos mais estáveis, que pagam menos, até. Pois se algo der errado, não tem margem de manobra para dar um passo atrás e recomeçar. Os jovens que mais crescem na carreira são aqueles com um consumo mais flexível”, observa.

Converse sobre os tabus financeiros
É fundamental conversar com o companheiro sobre a eventual falta de um dos dois por morte, invalidez ou doença grave, sobre divórcio, e até sobre a possibilidade de um filho não nascer com saúde. Ninguém gosta de conversar sobre esse tipo de coisa, mas traçar planos alternativos para essas eventualidades possibilita ao casal contratar seguros e planos de saúde mais interessantes.

Cerbasi aconselha os casais a tirarem a primeira semana de suas férias para discutir os assuntos menos agradáveis, nunca abordados nos momentos de lazer. “Eu vejo que as pessoas não encaram mais esses assuntos como tabus, mas elas têm pouco tempo para discuti-los. Já falta tempo para o relacionamento, para falar dos filhos, cuidar de si mesmo ou preparar uma noite especial. Então a conversa sobre os assuntos desagradáveis é acaba deixada para um segundo momento”, opina o consultor.

Como começar a falar de dinheiro?
Casais com relacionamentos já maduros – e que talvez já tenham problemas, como o da “infidelidade financeira” – podem sentir que começar a falar de um planejamento conjunto mais disciplinado a essa altura do campeonato soe meio forçado. Para ultrapassar essa barreira, Cerbasi aconselha a iniciar a conversa com um amigo casado ou mesmo com outro casal. “Pode começar como uma conversa entre dois casais. Será bom para ver que, no início, é difícil mesmo. É como a prática de exercícios. Começar a correr em grupo é mais estimulante do que correr sozinho”, compara.

FONTE: Exame

sábado, 26 de maio de 2012

POST 1692: COMO VIVE O GAÚCHO QUE ACUMULOU UMA FORTUNA DE US$ 2,4 BILHÕES

Ele atravessa os oceanos num jato Gulfstream avaliado em quase R$ 100 milhões, mas já andou no lombo de uma égua baixota carregando uma saca de milho para moer no moinho colonial. Aprecia beber uma Dom Perignon de R$ 800 a garrafa, mas gosta mesmo é da polenta brustolada preparada pela mãe.

Priva com ex-presidentes da República, mas não esquece de quando capinava roças de feijão com a enxada. Passeia em Nova York, mas o umbigo está na bucólica Nova Bassano, na Serra gaúcha, de apenas 8,6 mil moradores.

Assim é o estilo do gaúcho Lirio Albino Parisotto, 58 anos, o 601º homem mais rico do mundo segundo o ranking da Forbes, dono de uma fortuna de US$ 2,4 bilhões. Empreendedor desde criança, quando vendia palha para fechar cigarros de fumo crioulo, é um multiempresário de extremos. Tanto pode calçar legítimos sapatos italianos quanto andar descalço numa plantação de mandioca. Vai da boleia da carroça ao volante de um Porsche Cayenne com a mesma naturalidade.

De tanto ousar entre extremos, Lirio Parisotto conquistou o topo. Aos 18 anos, quando perdeu um Fusca ao apostar em ações, não se desesperou. Mais tarde, já próspero, aplicou milhões na Bolsa, em lances que fariam recuar o mais destemido dos empresários. Foi sem medo do fracasso que se tornou um megainvestidor internacional.

Lirio volta regularmente ao ninho de Nova Bassano, talvez para retemperar as energias, mas hoje cultiva hábitos chiques _ impensáveis para quem já vestiu camisas feitas com tecido de saca de açúcar. Combina jantares com o casal de atores globais e ecoativistas Bruna Lombardi e Carlos Alberto Ricceli.

Degusta vinhos nobres com José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Viaja, e muito, nos jatinhos de largas poltronas de couro. Quando está no Brasil, acomoda-se no apartamento de quatro suítes que tem em Manaus. Desfruta a vista do mar no Costão do Santinho, em Florianópolis. Tem outro domicílio em São Paulo.

Mas como definir essa personalidade ao mesmo tempo simples e sofisticada? Amiga de longa data, a psiquiatra Anne Marie o qualifica de "expansivo e otimista", mas também irritável e impulsivo. Enfim, alguém que se submete sempre ao clamor dos instintos.

— Ele é do tipo que entende o mundo de forma racional e ordenada. Extremamente inteligente para conseguir os objetivos, é também extremamente sedutor quando quer — avalia a doutora.

Como é a vida do bilionário
No pátio do hangar de voos executivos do Aeroporto de Congonhas em São Paulo, os preparativos do jato Cessna Sovereign frustram um dos três donos da aeronave, que em breve iria partir para Manaus levando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outras autoridades para o Fórum Amazonas Sustentável. Não é para menos.

Lirio Albino Parisotto, 58 anos, o 601º homem mais rico do mundo na lista da Revista Forbes, com uma fortuna avaliada em US$ 2,4 bilhões, esperava poder levar o ex-presidente no seu mais novo brinquedo. Um recém-comprado jato Gulfstream, que custa mais de US$ 50 milhões, sem impostos, tem autonomia para voos longos, acomoda 14 pessoas e viaja quase na velocidade do som. Numa conversa com o comandante Wilson Caprio, que pilota para o empresário há sete anos, Lirio ri.

— A Anac não liberou o avião novo — explica o comandante, acostumado a levar passageiros como o ex-presidente dos Estados Unidos Al Gore de carona nos jatos de Lirio Parisotto.

— Os passageiros são sempre de alto nível. Isso é uma grande responsabilidade para im. Mas é muito tranquilo pilotar para o senhor Lirio. Ele é especial, muito amigo, muito família. Uma pessoa engraçada, sempre de bem com a vida. E entende de aviões — conta.

Voar alto sempre foi o objetivo desse gaúcho, filho de agricultores descendentes de italianos, que nasceu no dia 18 de novembro de 1953, a 10 quilômetros da cidade de Nova Bassano, próxima a Caxias do Sul, numa casa sem luz elétrica, na qual a produção agrícola era basicamente de subsistência para o casal e os 11 filhos.

— Ele sempre disse que queria ser alguma coisa na vida. Desde pequeno batalhava muito. E saiu de casa cedo, aos 13 anos foi para um seminário. Depois, foi expulso e não explica por quê. Estudou medicina, se formou, abriu um negócio pequeno que hoje é uma grande empresa, na qual eu sou gerente de engenharia — diz Eloi Parisotto, um dos 10 irmãos.

— O único caso de nepotismo na Videolar — brinca Lirio, ao apresentar o irmão mais novo.

A empresa, hoje um conglomerado de quatro indústrias petroquímicas que produzem CDs, DVDs, discos Blu-Ray e flash drives na zona franca de Manaus, e que logo deve inaugurar uma nova unidade de Bopp (película de polipropileno biorientada ou filmes plásticos de embalagem), com investimento de R$ 500 milhões, além de uma unidade em São Paulo, começou como uma pequena videolocadora em Caxias do Sul.
O mascate virou empresário Ao deixar o seminário, por ser "anarquista", como gosta de dizer, Lirio foi estudar medicina em Brasília. Fazia de tudo para ganhar dinheiro naquela época, início dos anos 1970. Mascateava carros, toca-fitas, relógios, fazia declarações de Imposto de Renda, tudo para pagar os estudos e os livros. Quando um amigo, dono de uma instaladora de som em carros, a Audiolar, passou por dificuldades financeiras, ofereceu a empresa a Lirio, que tocou o negócio em Caxias do Sul, com um sócio. A empresa cresceu, virou Videolar em 1988 e hoje fatura US$ 1,4 bilhão por ano e emprega dois mil funcionários.

— Lirio é uma pessoa com bastante energia. Está sempre bem informado, por isso cobra resultados. Como construiu tudo do nada, passa para nós esse desafio constante — conta o diretor industrial da Videolar, Silas Paulo Varone.

Ao passear pela fábrica, o empresário conversa com os funcionários, brinca bastante e manda pintar as frases de efeito que ouve nas paredes da empresa. Não se furta em comer no refeitório da indústria e ao montar o prato revela suas origens: uma porção bem farta de arroz com feijão e três pedaços de frango.

Quem o vê comendo assim não imagina que, pouco antes de aterrissar em Manaus, Lirio estava servindo champanhe Dom Perignon aos seus convidados ilustres, a bordo do Sovereign, onde foi o único a tirar os sapatos italianos, confortável na posição de dono do luxuoso jatinho, com largas poltronas de couro. Cada Dom Perignon custa cerca de R$ 800 e, na viagem em companhia de Fernando Henrique Cardoso, seu filho Paulo Henrique Cardoso, o ex-ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, o ex-diretor do Banco Central Nelson Carvalho e o presidente de honra da Rede Accor no Brasil Firmin Antonio, foram abertas quatro garrafas. Ou "garafas", como pronuncia Lirio, ainda com o sotaque de colono descendente de italianos.

— O mais curioso no Lirio é que, mesmo depois de enriquecer e de se transformar um empresário poderoso e em um grande investidor, ele nunca esqueceu as origens. Fala com o sotaque da roça, é muito direto e objetivo. Um fofoqueiro de primeira — diz Furlan.

Obsessão por imóveis
Dono da corretora Geração Futuro, com fundos de ações responsáveis pela maior parte do seu patrimônio avaliado em US$ 2,4 bilhões (cerca de R$ 4,3 bilhões), Lirio não começou bem sua carreira como investidor no mercado financeiro. Sua primeira tentativa foi um retumbante fracasso.

Com apenas 18 anos, recebeu um Fusca como prêmio em um concurso de monografias organizado pelo Exército. Encantado com a alta das ações, investiu na renda variável e perdeu tudo em pouco tempo.

— Saí com o dinheiro para uma refeição — relembra.

Como empresário já estabelecido, voltou a aplicar na Bolsa. O prejuízo foi ainda maior, de US$ 200 mil. Só no início dos anos 1990 teve o primeiro sucesso, quando investiu US$ 1 milhão. Multiplicou a fortuna por quatro e conseguiu comprar a participação do sócio na Videolar.

Em 2008, o investidor também perdeu alguns milhões, mas, desta vez, aproveitou a baixa para aumentar sua posição, atravessou a crise e saiu dela ainda mais rico. Além do faturamento da Videolar e dos fundos de ações (90% nos setores de siderurgia, mineração, bancos e companhias elétricas), Lirio investe em imóveis.

Tem um apartamento com quatro suítes no Bairro Ponta Negra, o mais nobre de Manaus, um no Costão do Santinho, em Florianópolis, e outro em São Paulo, onde passa a maior parte do seu tempo. Na garagem um Porsche Cayenne, que na versão mais simples custa quase R$ 400 mil e, de reserva, para driblar o rodízio na capital paulista, um Mercedes. Em Manaus, Lirio mantém um outro carro, que dirige ele próprio, com auxílio de um GPS.



quinta-feira, 26 de abril de 2012

POST 1564: AUMENTE SEU QI FINANCEIRO EM CINCO PASSOS. Por André Massaro

1 – Fale mais sobre dinheiro
Costumo brincar com as pessoas dizendo que, se quiserem desfazer uma “rodinha” de conversa animada em uma festa, basta se aproximar e começar a falar de dinheiro. Isso acontece, basicamente, por três razões: o “assunto” dinheiro é chato (sou um profissional de finanças e sou o primeiro a reconhecer que não é o assunto mais “sexy” do mundo), falar de dinheiro é um tabu em nossa cultura (especialmente quando falamos o quanto ganhamos) e, para muitas pessoas, falar de dinheiro traz sensações desagradáveis, como a culpa (principalmente para aqueles que têm dificuldade em equilibrar as contas).
Mas falar sobre dinheiro nos motiva a entendê-lo melhor e a buscar formas melhores e mais inovadoras de nos relacionarmos com ele. Se nos aproximamos de pessoas que ficam mais à vontade falando de dinheiro, isso acaba gerando em nós mesmos uma “pressão de pares” que nos estimula a conhecer melhor nossas finanças e o dinheiro como um todo.
E nunca é demais lembrar: fugir de um assunto (seja ele qual for) nunca foi e jamais será a melhor forma de lidar com ele. Encare-o de frente.

2 – Invista em educação financeira
Quando se fala em educação financeira, algumas pessoas imaginam algo como “mas será que vou ter que voltar para a escola e fazer uma pós-graduação em economia?”. Nada mais distante da verdade…
A maioria das pessoas não tem ideia do quanto um pouco de senso crítico e alguns conhecimentos rudimentares de finanças podem operar verdadeiros milagres nas vidas delas.
Podemos nos educar financeiramente de várias formas: através de livros, cursos, seminários, vídeos… podemos até mesmo escolher se queremos pagar por esta educação ou não, uma vez que praticamente tudo que qualquer pessoa precisa saber pode ser encontrado gratuitamente na internet. O investimento em educação financeira não necessariamente exige dinheiro, mas exige tempo e disposição.
Mais uma vez é importante ressaltar que o objetivo não é virar um “mestre das finanças” (a não ser que você queira), e sim ter o mínimo de base teórica para conseguir conversar com seu gerente de banco de igual para igual, ou então para escapar da conversa fiada daquele seu cunhado “genial”, que quer te arrastar para um esquema furado de investimento em engorda de porquinhos da índia que “vai deixar todo mundo milionário”…

3 – Adote a “Lei de Responsabilidade Fiscal” em sua vida
Se você ganha “X” por mês, seu gasto mensal deve ser inferior a “X”, simples assim. Se você está insatisfeito com seu padrão de vida e quer elevá-lo, então pense antes em como vai elevar sua renda para fazer frente ao custo do padrão de vida que você aspira a ter.
“Viver dentro de suas possibilidades” é uma enorme demonstração de respeito ao dinheiro. E se existe algo que as pessoas de alto QI financeiro sentem em relação ao dinheiro é um profundo respeito.

4 – Pense em ganhar mais
É incrível como é possível se ganhar dinheiro com qualquer coisa neste mundo. Até aquilo que a gente imagina que não tem valor algum, aquilo que jogamos no lixo (ou lugar pior…) pode ter enorme valor nas mãos de alguém que viu uma oportunidade de ganhar com aquilo.
Não existe fórmula mágica para ganhar dinheiro, mas existem inúmeros caminhos. É possível ganhar muito dinheiro tendo um negócio, tendo um emprego (pergunte para algum executivo graduado de uma grande empresa), investindo no mercado financeiro, sendo um profissional liberal… em qualquer profissão, existem pessoas que ganham pouco e pessoas que são ricas. O que você poderia fazer para estar no segundo grupo?

5 – Seja um consumidor defensivo
Grandes empresas (e as pequenas também) gastam anualmente uma quantia de dinheiro além da imaginação de qualquer mortal com um único objetivo: fazer você gastar seu dinheiro (muitas vezes em coisas de que você NÃO precisa).
Não espere que alguém te defenda, pois o sistema está cem por cento contra você. As empresas querem que você compre os produtos e os serviços que elas oferecem; os bancos querem que você use suas linhas de crédito para adquirir esses produtos e serviços; o governo quer que você consuma, pois isso gera maior arrecadação de impostos e, por fim, o mundo inteiro quer que você compre as últimas novidades e esteja sempre “na moda” para ser aceito socialmente.
Se você não se defender, ninguém o fará. Por isso, cuidado com compras por impulso, com armadilhas de consumo e com as tentações das propagandas.

FONTE ORIGINAL: EXAME



André Massaro
Administrador de empresas pós-graduado em economia.
Já foi executivo financeiro, consultor e investidor profissional.
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domingo, 1 de abril de 2012

POST 1426: DE MIL REAIS A UM MILHÃO EM MENOS DE SEIS ANOS. Por André Massaro


Um milhão de reais não é mais aquilo que costumava ser no passado, mas é um valor que ainda mexe com a imaginação de muitos brasileiros. Alguns argumentam que a palavra “milionário” perdeu seu significado, pois um milhão de reais hoje em dia mal compram um bom apartamento em uma grande capital brasileira, mas esse número um seguido de um monte de zeros ainda faz parte dos sonhos da maioria das pessoas como um ideal de vitória e sucesso financeiro.

Uma prova desse fascínio é a quantidade de livros e sites de finanças pessoais e “autoajuda financeira” que exploram a ideia de “como conquistar o primeiro milhão”. Cada um tem a sua fórmula mágica. Alguns se propõem a conseguir isso em vinte, trinta anos… alguns dizem que é possível chegar lá em menos tempo, fazendo aportes mais ousados no meio do caminho.

Pois vou mostrar agora como chegar a um milhão de reais partindo de apenas mil reais, em pouco mais de cinco anos e meio (mais especificamente em 68 meses), e sem fazer aporte algum durante o processo! Apenas fique sentadinho por cinco anos e meio e veja a mágica acontecer!

Meu método para chegar ao primeiro milhão é infalível, mas… bem, esqueci de mencionar um detalhe importante: você vai chegar ao milhão, só que “ao contrário”. Vamos partir de um valor devedor de mil reais e vamos chegar a um milhão também devedor. Afinal de contas, um sinalzinho de mais ou de menos à esquerda do “número um” é apenas um detalhezinho insignificante, não é mesmo? O que importa é que vamos chegar ao milhão!

Vamos então à receita do milhão! Pegue seu cartão de crédito e faça umas comprinhas por aí no valor de mil reais. Quando chegar a fatura, simplesmente não pague. Faça de conta que não é com você e deixe rolar.

Segundo a última pesquisa de juros divulgada pela ANEFAC (de setembro de 2011), a taxa média do rotativo do cartão de crédito no Brasil é de 10,69% ao mês (ou 238,30% ao ano). Só para fins de comparação, nos EUA a taxa do rotativo de um cartão de crédito está por volta de 16% ao ano (esses americanos não estão com nada mesmo…). Agora simplesmente observe a magia da capitalização composta em ação e, voilà, em sessenta e oito meses você terá seu milhão (em dívidas)!

Você já pode sair pela sua vizinhança dizendo para todo mundo que conquistou o primeiro milhão mas, após falar, não se esqueça de virar a cabeça para o lado discretamente e sussurrar baixinho: “em dívidas”.

No entanto, existem alguns obstáculos que podem atrapalhar o “plano do milhão”. Um deles seria se resolvessem cobrar sua dívida judicialmente no meio do caminho (mas esses caras são chatos mesmo!) ou, pior que isso, sua dívida poderia prescrever antes de chegar lá! (mas isso dá para resolver se você começar com um saldo devedor um pouco maior…).

Para finalizar, quero deixar claro aqui que o meu mirabolante “plano do milhão” tem como objetivo mostrar o que uma pequena dívida sem controle pode virar. E, no país onde as pessoas não sabem o que são juros (sabem apenas o que são “parcelinhas que cabem no bolso”), dívidas saem do controle com frequência muito maior do que imaginamos.

Absolutamente, não acho que o cartão de crédito seja um vilão, mas como a taxa dele é a mais alta do mercado, ele acabou virando a “vítima” de ocasião para o efeito que eu queria demonstrar (é, na verdade eu é que fui o vilão do cartão, e não o contrário).

Ele é uma excelente ferramenta financeira (eu mesmo tenho quatro e não vivo sem), mas ele não é a ferramenta adequada para dívidas do dia a dia. O rotativo do cartão deve ser considerado um “recurso de emergência” para situações muito específicas, e não uma muleta para quem resolveu transformar o “estar endividado” em estilo de vida.

Originalmente em EXAME


André Massaro
Administrador de empresas pós-graduado em economia.
Já foi executivo financeiro, consultor e investidor profissional.

É coachfinanceiro e instrutor-sênior da MoneyFit
Autor dos livros “MoneyFit” e “Por dentro da bolsa de valores” (Matrix Editora)
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sábado, 10 de março de 2012

POST 1379: PREPARANDO-SE PARA UM ANO DE INCERTEZAS – PARTE 2 Por André Massaro


Dando continuidade às considerações sobre um possível “ano difícil” pela frente, vamos ver algumas estratégias financeiras defensivas que merecem ser analisadas e, quem sabe, adotadas. Uma coisa interessante sobre estratégias financeiras defensivas é que, com raras exceções, “mal não vão fazer”. Se as previsões mais pessimistas sobre o ano que vem estiverem completamente furadas e tivermos mais um ano de crescimento e euforia econômica, o pior que pode acontecer (ressaltando novamente “com raras exceções”) é ter vivido o ano de forma menos intensa, mas com uma situação mais equilibrada no final.

1 – “Quem não deve não teme”
Existem poucos exercícios de futilidade e perda de tempo maiores do que pensar em investimentos e retornos quando se está endividado. Empresas se endividam e pensam em retorno, mas usam o dinheiro emprestado (ou pelo menos deveriam usar) para “alavancar” seus resultados – ou seja, elas tomam dinheiro emprestado a um custo “X” para investir em seu negócio que traz um retorno maior que “X”.

Estão, literalmente, “ganhando com o dinheiro dos outros”. Mas raramente uma pessoa física consegue tomar dinheiro emprestado e, de alguma forma, se beneficiar da alavancagem. Pessoas físicas usualmente usam crédito para o consumo, e não para gerar algum retorno que seja superior ao custo desse crédito.
O primeiro passo de uma postura financeiramente defensiva é parar, imediatamente, de fazer dívidas e adotar uma postura de viver conforme os meios permitem. É importante notar que não estamos falando de um problema financeiro, mas sim comportamental e disciplinar, que afeta diretamente a vida financeira.

2 – “Espere o melhor, mas prepare-se para o pior”
Quem consegue passar pela primeira (e mais difícil) etapa, que é parar de se endividar, deve começar a se preocupar em ter uma reserva financeira liquida e de fácil acesso para situações emergenciais, como a perda repentina do emprego.
Hoje, muitos brasileiros têm patrimônio zero ou negativo, por conta do endividamento. Eliminar o endividamento é fundamental para que se possa pensar em começar a constituir uma reserva. É importante aqui criar uma regra e ser rígido com ela. Normalmente recomenda-se às pessoas que procurem guardar algo entre 10% a 15% de suas rendas mensais, mas, na iminência de cenários ruins, quanto maior o percentual, melhor.

3 – Investindo defensivamente
Quem tem dinheiro sobrando (e investido) deve, mais do que nunca, ficar atento a algumas regras básicas do gerenciamento de riscos. Nosso povo tem algumas coisas engraçadas… Se eu sair por aí dizendo que vou pegar todo o meu dinheiro e investir tudo em uma única empresa, comprando ações dela na bolsa de valores, é capaz de mandarem me internar num hospício. Mas se eu disser que vou comprar um único imóvel para alugar e receber essa renda de aluguel, muita gente vai achar a decisão mais sábia e sensata do mundo…
Bem, novamente não estamos falando de problemas financeiros, e sim de valores pessoais, visões, percepções e crenças. Investir defensivamente exige que adotemos uma “política de risco” para nossas decisões, e um grande desafio é estabelecer essa política de riscos de uma forma coerente e objetiva, sem deixar que nossas emoções e nossas percepções nos traiam.
O procedimento mais básico (e mais eficaz) de uma política de gestão de riscos é a diversificação. Diversificar os investimentos entre categorias (renda fixa e renda variável) e entre emissores (títulos públicos e privados, no caso de renda fixa, e diferentes empresas e segmentos, no caso de renda variável). Em situações de incerteza, é comum as pessoas darem maior “peso” em suas carteiras de investimento a títulos de renda fixa emitidos por governos e comprarem ações de empresas de setores mais “tradicionais” e com reputação de serem boas pagadoras de dividendos. É uma boa prática para o investidor não profissional cuja maior preocupação é a defesa do patrimônio.

4 – Tristeza de uns, alegria de outros…
Reduzir o consumo, poupar dinheiro e se preocupar em investir de forma conservadora não é a coisa mais agradável de se fazer. Aliás, é algo bastante chato… por isso vamos tentar “fechar” nosso pacote de estratégias defensivas com algo mais divertido e animado, onde exercitaremos nossa imaginação e nossa criatividade.
Vamos começar a traçar cenários e imaginar que, no ano que vem, tudo dê errado e a economia vá para o buraco de vez. Como poderíamos ganhar com isso? Reclamar e se lamuriar nunca foi uma estratégia muito interessante para tentar gerar riqueza,por isso minha proposta é fazer um exercício mental para tentar enxergar onde estariam as oportunidades caso o cenário ruim vire realidade. Quais seriam os negócios “contra cíclicos” que poderiam gerar riqueza quando a economia vai mal? Ponha seu cérebro para funcionar e descubra!
Afinal, não devemos esquecer que grandes fortunas e grandes oportunidades surgem nas épocas de crises. E também não devemos esquecer que, para explorar adequadamente as grandes oportunidades, é bom estar com a vida financeira bem resolvida e equilibrada, por isso não se esqueça das estratégias anteriores!

Texto originalmente publicado em EXAME

André Massaro
Administrador de empresas pós-graduado em economia.
Já foi executivo financeiro, consultor e investidor profissional.
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